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Morreu José Manuel Leite, primeiro presidente da Figueira da Foz após o 25 de Abril

22 de Novembro 2021 Jornal Campeão: Morreu José Manuel Leite, primeiro presidente da Figueira da Foz após o 25 de Abril

Morreu José Manuel Leite, o primeiro presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz eleito após o 25 de Abril e cidadão honorário da cidade.

As cerimónias fúnebres vão decorrer na próxima quarta feira (24), na Igreja Evangélica Presbiteriana, na Rua 10 de Agosto, na Figueira da Foz, a partir das 10h00 com a chegada do corpo, iniciando-se as cerimónias fúnebres a partir das 15h00.

O Município da Figueira da Foz apresenta sentidas condolências à família e amigos e manifestou publicamente o pesar pelo falecimento de José Manuel Leite. Para além disto, foi determinado que o dia das cerimónias fúnebres será de luto municipal e que a bandeira do Município será colocada a meia haste.

José Manuel Leite nasceu em Lisboa a 24 de Março de 1940 e, em 1959, após os estudos liceais, ingressou no Seminário Presbiteriano de Teologia, em Carcavelos, tendo feito estudos de pós-graduação Faculdade de Teologia de Montpellier, em França, e no Instituto Ecuménico de Bossey, Universidade de Genebra.

Após concluir a licenciatura em Teologia e a ordenação em 1964, assumiu o seu primeiro pastorado nas paróquias de Alhadas e Bebedouro, nos concelhos da Figueira da Foz e Montemor-o-Velho, respectivamente.

Em 1967, inscreveu-se como aluno da Escola Superior de Agronomia de Coimbra, tendo terminado o curso três anos mais tarde.

Fundou, em 1968, a Cooperativa Agrícola do Bebedouro, em Arazede, da qual veio a ser o seu primeiro gerente e técnico e, no ano seguinte, foi nomeado director do Centro Ecuménico Reconciliação, em Buarcos, lugar que ocupou até 1988.

Em 1976, foi eleito presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, cargo que ocupou até Janeiro de 1980, tendo sido, segundo a autarquia, um dos principais impulsionadores da construção da Ponte “Edgar Cardoso”.

Fundou em 1988, juntamente com dois sacerdotes católico romanos, a OIKOS, hoje bem conhecida como uma Organização Não Governamental para o desenvolvimento. Nesse mesmo ano, foi para Genebra como secretário executivo do Departamento “Justiça, Paz e Direitos Humanos” da Conferência das Igrejas Europeias e com a responsabilidade de organizar a primeira Assembleia Ecuménica Europeia, realizada em 1989, em Basileia. Representou o Conselho Mundial de Igrejas na Comissão dos Direitos Humanos da ONU.

Em 1994, assumiu o reitorado e as disciplinas de Ecumenismo e de Patrística do Seminário Evangélico de Teologia em Lisboa e, no ano seguinte, foi eleito, no Sínodo da Igreja Presbiteriana de Portugal, presidente da sua Comissão Executiva. Foi também um dos presidentes do Conselho Português de Igrejas Cristãs e membro da Comissão “Igreja e Sociedade” da Conferência das Igrejas Europeias e de alguns grupos de trabalho do Conselho Mundial de Igrejas.

A Câmara Municipal atribuiu-lhe, por unanimidade, a Medalha da Cidade da Figueira da Foz, concedendo-lhe o título de Cidadão Honorário da Figueira da Foz na sua reunião de Câmara de 19 de Março de 2018, como forma de o distinguir e prestar público apreço pelo valor das suas realizações e pelo contributo notável que deu para o bom nome da cidade e o desenvolvimento do concelho.