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Montemor-o-Velho obtém primeira edição da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto

3 de Novembro 2023 Jornal Campeão: Montemor-o-Velho obtém primeira edição da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto

A Câmara de Montemor-o-Velho reforçou o seu espólio municipal com uma “rara” edição do livro “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto.

“Hoje há um ciclo que se completa. Continuamos a fazer cumprir o desígnio de trazer Fernão Mendes Pinto de volta a Montemor-o-Velho”, disse o presidente do Município de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, após a autarquia ter recebido a primeira edição completa da “Peregrinação”, impressa em 1614.

Para o autarca, trata-se de mais uma medida que “vem complementar a actuação municipal de promoção e divulgação das figuras históricas do concelho”, num evidente compromisso da Câmara na preservação da história e da herança cultural e literária concelhia.

Emílio Torrão lembrou que a vontade de dar destaque a Fernão Mendes Pinto começou durante a juventude, após ter verificado que não havia referências ao escritor e aventureiro em Montemor-o-Velho, vila onde nasceu.

“É mais um momento que nos enche de orgulho e que se reveste de uma particular importância também para as gerações vindouras. Estamos a deixar uma importante herança cultural para Montemor-o-Velho ao reconhecer e promover Fernão Mendes Pinto”, sublinhou.

Editada em 1614, a obra é, ainda hoje, um dos livros portugueses mais traduzidos no mundo.

De acordo com a Câmara Municipal, em Portugal existem três obras completas em instituições públicas, a que se junta, a partir de agora, mais um exemplar no Município de Montemor-o-Velho.

Em Setembro, ao Câmara inaugurou junto Convento de Nossa Senhora dos Anjos, o grupo escultórico dedicado a Fernão Mendes Pinto, à sua obra e às suas viagens.

O grupo escultórico é constituído por uma proa e popa de destroços de uma embarcação, executado em tubos de aço reforçados, revestidos a chapa de aço corten, uma estátua em bronze e ainda uma narrativa, em aço, com 12 quadros alusivas às viagens de Fernão Mendes Pinto.

A peça de arte tem inscrições em português e, através de códigos QR, os visitantes têm acesso a mais informação para que possam descobrir a história e as estórias que estão subjacentes à estátua.

Fernão Mendes Pinto nasceu em Montemor-o-Velho, no Baixo Mondego, no início do século XVI.

De acordo com a autarquia, em 1537, embarcou para a Índia e durante 21 anos viajou por vários países da Ásia, vivendo muitas peripécias que, mais tarde, registou na sua obra “Peregrinação”.

Regressou a Portugal em 1558, instalou-se em Almada, no distrito de Setúbal, onde casou e escreveu as suas memórias, vindo a falecer em 1583.

Na sua obra, o autor preocupou-se em registar as múltiplas e diversificadas experiências, verídicas ou ficcionais, decorrentes das suas deambulações por terras da Ásia e do Oriente.

Publicada 31 anos após a morte, a sua obra foi traduzida em diversas línguas e objecto de 16 edições portuguesas.

Fernão Mendes Pinto diz-se um dos primeiros portugueses a chegar ao Japão e reproduz alguns dos episódios mais conhecidos, como a história da espingarda oferecida ao rei do Bungo.