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Missão RIA desperta sorrisos em centenas de crianças e jovens

26 de Dezembro 2020 Jornal Campeão: Missão RIA desperta sorrisos em centenas de crianças e jovens

Cátia Barbosa – Porto

 

O conceito nasceu na GNR do Porto há, sensivelmente, seis anos. Corria o ano de 2014 quando, às três da manhã de um serviço, um grupo de militares mostrou interesse em ajudar crianças e jovens carenciados ou institucionalizados. Surge, assim, a ideia de juntar uma Rede Informal de Amigos, constituída por familiares, amigos e colegas, com vista a que cada um pudesse contribuir, dentro das suas possibilidades, com brinquedos e vestuário. Os militares dão, desta forma, início a uma nova missão: A Missão RIA.

“Neste momento, há mais de 8 000 crianças que estão institucionalizadas no nosso país”, refere um dos dinamizadores da Missão RIA que prefere manter-se no anonimato.

São cerca de 300 centros de acolhimento espalhados pelo país. “Desses 300, há algum perto de nossas casas onde podemos fazer chegar algumas coisas”, sublinha.

Para além da doação de brinquedos e peças de vestuário, a Missão Ria desenvolve ainda diversas actividades, desde levar as crianças ao cinema e ao jardim zoológico a dar-lhes prendas de Natal e de aniversário. Desde 2014, já foram realizados eventos como torneios de futsal, noites latinas, passeios pedestres e provas de cicloturismo. Tudo com vista a despertar um sorriso nos mais jovens.

“Qualquer evento em que uma pessoa junta amigos e conhecidos pode ser trasformado num evento da Missão RIA”, afirma um dos mentores da iniciativa, frisando que “este projecto é uma ideia e qualquer um pode fazer o que quiser dentro dessa ideia”.

3S – Solidariedade Sem Stress”

“Uns dão a cara, outros divulgam as ideias e outros gostam de viver na obscuridade”. É desta forma que um dos membros da Missão RIA, que opta por manter o anonimato, se refere àqueles que estão por detrás do projecto.

O facto de quem está na génese da iniciativa não se querer mostrar deu origem a uma necessidade de encontrar quem desse a cara pela Missão RIA e, assim, fiabilizasse o projecto. A primeira solução encontrada foi o Rião: um peluche fabricado em Inglaterra e encontrado em Portugal, que rapidamente se tornou a mascote desta missão.

“Quando se olhou pela primeira vez para ele, parecia mesmo que estava a pedir para ser embaixador. Tinha mesmo cara de criança sozinha e abandonada e, por isso, foi o representante”, explica um dos fundadores desta iniciativa. Contudo, algum tempo mais tarde, os membros da RIA chegaram à conclusão de que estava na hora de dar caras reais e humanas ao projecto.

“Actualmente, temos cerca de 200 embaixadores e cada um deles foi trazido por alguém da Missão RIA”, afirma um dos mentores da iniciativa, frisando ainda que “cada novo embaixador é familiar ou amigo de um outro embaixador que já marcava presença no projecto”. Esta dinâmica de funcionamento em rede foi, desde a sua génese, o principal objectivo da RIA.

“As missões continuam a ser as mesmas e o princípio também: difundir a ideia”, esclarece um dos membros da iniciativa. Com o lema “3S – Solidariedade Sem Stress”, a Missão RIA abre portas a que “cada um faça o que pode, quando pode e da forma que pode”. De acordo com este elemento do projecto “Cada um sente, dentro de si, a vontade de ajudar e, dentro da vontade que tem, faz o que quer”.

Uma Rede Informal de Amigos que favorece um apoio de proximidade

Desde o início da Missão RIA, as únicas iniciativas que são fixas chamam-se “Missão Natal” e “Missão Ano Novo”, em que os membros do projecto se deslocam aos centros de acolhimento a fim de descobrir a idade e o género das crianças que lá habitam.

“Antes de fazer uma missão, temos de saber quem é que vamos ajudar e perguntar o que é que é preciso”, afirma um dos membros da RIA, acrescentando que “este ano, cerca de 50 crianças vão receber prenda de Natal e de aniversário”.

Além dos integrantes da Missão RIA, qualquer pessoa pode, por sua iniciativa, dirigir-se a um centro e ajudar estas crianças. Um dos dinamizadores do projecto acredita que “é muito fácil levar as pessoas a contribuir e a aderir a qualquer missão”. Contudo, também acredita que “é muito difícil colocá-las a fazer alguma coisa por elas próprias”.

Apesar da falta de tempo e da dificuldade em deixar a preguiça de lado, esta voz da Missão RIA não tem dúvidas de que “os portugueses são um povo solidário”.