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Miséria humana: Desconhece-se o paradeiro de “residente” num carro

24 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Miséria humana: Desconhece-se o paradeiro de “residente” num carro

A mulher retirada, ontem, de um carro onde fazia vida, em Coimbra, está a ser acompanhada pela Cáritas Diocesana, mas, de momento, o paradeiro dela é desconhecido, apurou o “Campeão”.

A Polícia Municipal agiu invocando estacionamento abusivo, devido a permanência da viatura no local durante mais de mês e meio, mas, de facto, a situação emerge de um caso de miséria, protagonizado por uma rapariga com cerca de 30 anos de idade.

Sem documentação e, aparentemente, a sofrer de problemas do foro psiquiátrico, Charlotte, cidadã francesa, procura alojamento na Cáritas, há algum tempo; contudo, a instituição não possui vagas em duas instalações: a Casa-abrigo e o Centro de Alojamento Temporário “Farol”.

Charlotte tinha demonstrado, nas últimas semanas, interesse em sair do carro onde “morava”, principalmente, depois de haver sido ajudada na vigência de um plano de contingência accionado por ocasião de uma vaga de frio.

Desde essa altura que a mulher se dirige, diariamente, à Cáritas, quer para saber se já há vagas, quer para se alimentar e fazer a respectiva higiene.

Charlotte esteve, em 2016, durante cerca de mês e meio, a morar numa daquelas residências; no entanto, quando foi desencadeado o processo de legalização junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, fugiu e não voltou ao alojamento proporcionado pela Cáritas.

Segundo José Mota, que acompanha o caso, a mulher “quer ser ajudada, mas não pretende que lhe façam perguntas sobre a sua pessoa, não fala sobre ela nem acerca da respectiva vida, o que torna o processo muito difícil”.

A Cáritas tem tentado encaminhá-la para o Serviço de Psiquiatria do Hospital de Sobral Cid, mas também essas diligências se têm revelado infrutíferas.

De acordo com o técnico, a Câmara Municipal de Coimbra possuía conhecimento do caso, desde a semana passada, e também está a par da falta de vagas em instalações da referida instituição de solidariedade social.

Charlotte deslocou-se, ontem à tarde, à Cáritas de Coimbra, para se inteirar da sua situação, mas saiu, depois de ouvir uma resposta negativa, e, segundo José Mota, não se sabe do paradeiro dela.