Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Miranda do Corvo: Utentes fizeram vigília para exigir mais médicos

27 de Dezembro 2018

Cerca de uma centena de pessoas participaram, ontem, numa vigília junto à Unidade de Saúde Familiar de Miranda do Corvo em defesa dos cuidados de saúde e do alargamento do horário de atendimento, que foi reduzido este mês.

Os utentes queixam-se da falta de metade dos médicos do corpo clínico, situação que originou a redução do horário de atendimento das 20h00 para as 17h45 e deixou cerca de 5 000 utentes sem médico de família.

“Foi anunciada a contratação de duas médicas aposentadas para Janeiro, mas acontece que cada uma só vai fazer 18 horas, o que, na prática, nem chegam a fazer o horário de um médico”, explicou José Taborda, do Movimento de Utentes do Centro de Saúde de Miranda do Corvo, que organizou a vigília.

Desde o dia 11 de Dezembro que a Unidade de Saúde Familiar Trilhos do Dueça reduziu o horário devido “a constrangimentos e falta de recursos humanos”.

Segundo José Taborda, deputado municipal com assento no Conselho da Comunidade do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte (ACES PIN), a contratação de duas médicas aposentadas pela Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) não dá para assegurar um ficheiro clínico.

“É melhor do que nada, mas mesmo assim 3 500 utentes vão continuar sem médico de família”, salientou.

Márcia Simões, outra representante do movimento de utentes, frisou que “não é só a falta de médicos que os preocupa, é também a falta de enfermeiros”.

O serviço de enfermagem também passa por dificuldades, com a falta de duas enfermeiras, uma de atestado médico de longa duração e outra por licença de maternidade, que agravam os acessos a cuidados de saúde programados e preventivos da população do concelho.

“Este Centro de Saúde está num estado calamitoso, com mais de metade dos seus utentes sem acesso a cuidados básicos de saúde. Estamos a defender o Serviço Nacional de Saúde que é universal e tem de ser para todos”, sublinhou Márcia Simões.

Na vigília, interveio, também, o presidente do Município, Miguel Baptista, que considerou o movimento de utentes “muito importante na defesa da saúde a prestar à população”.

“Temos feito uma força enorme para resolver a questão, que é um problema muito grave”, frisou o autarca, para quem o facto de metade dos utentes estar sem médico de família é “algo que não se pode admitir”.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com