Coimbra  19 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Miranda do Corvo: Hotel vai deduzir oposição a penhora

28 de Novembro 2018

Jaime Ramos, ladeado por uma técnica da ADFP e Quirino São Miguel

O Hotel Parque da Serra da Lousã (HPSL), alvo de uma penhora ao abrigo de uma acção executiva, vai impugná-la judicialmente, havendo lugar a suspensão da mesma mediante prestação de caução.

Pertencente à Fundação ADFP, a unidade hoteleira pode deduzir oposição à execução, através de embargos de executado, e/ou deduzir oposição à penhora.

O litígio entre a Fundação ADFP e a empresa Jobipiso, arredada em Abril de 2015 da construção do HPSL no âmbito de uma turbulenta posse administrativa da obra, é susceptível de ser sanado ao abrigo de um acordo, admitem as partes.

Jaime Ramos, presidente da Fundação – Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, deu uma conferência de Imprensa, hoje, para rotular a divulgação da penhora de “manobra tendente a denegrir o prestígio do Hotel Parque”, que permanece aberto ao público.

Segundo o médico e ex-líder do Município de Miranda do Corvo, o HPSL é “uma marca de prestígio, surgindo como o hotel de quatro estrelas melhor classificado no ‘Booking’, na região de Coimbra”, além de consistir em “empresa sólida, que paga aos fornecedores no prazo de 15 dias ou no horizonte de um mês”.

Em abono da tese de “montagem de espectáculo”, alegadamente associada à penhora, ao prometer “honrar os compromissos”, o antigo autarca comparou a situação ao panorama bíblico protagonizado por David e Golias. “De um lado, há uma instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos; do outro, está o poderoso lóbi da construção civil”, opinou.

Outrora governador civil de Coimbra, o timoneiro da Fundação ADFP acusa a Jobipiso de ter roubado o “livro de obra”, imputação negada pelo advogado da empresa, José Manuel Ferreira da Silva.

O facto de o sobredito advogado liderar a bancada do PS na Assembleia Municipal de Coimbra leva Ramos a falar de “aliança entre interesses de dois políticos locais”, o autarca conimbricense e o presidente da Câmara de Miranda do Corvo, Miguel Baptista (PS).

“Tivemos o azar de, através de concurso público, adjudicar uma obra a uma empresa sem crédito, em risco de falência, a qual tem tentado sujar o prestígio do HPSL e da Fundação”, desabafou o médico, em cujo ponto de vista é “conhecida a existência de pessoas doentiamente obcecadas contra a ADFP e o projecto turístico” inerente à unidade hoteleira.

Segundo Ramos, “nesta contenda”, o HPSL tem sido “alvo de situação kafkiana, enfrentando um tribunal arbitral dominado pelo lóbi das empresas de construção civil”.

“Perante a evidente falta de seriedade do tribunal arbitral da Associação de Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do Norte (AICCOPN), participámos ao Ministério Público a suspeita de actividade criminosa e solicitámos ao Ministério da Justiça que declare falta de idoneidade daquela instância e revogue a autorização concedida à Associação de Industriais da Construção e Obras Públicas para centro de arbitragem”, declarou Jaime Ramos.

Quanto à Jobipiso, o presidente da Fundação ADFP associa a empresa à condição de ré “em perto de 50 processos judiciais, devedora de milhões de euros, e que, ainda recentemente, deixou mais uma obras inacabada na Universidade de Coimbra”.

A par da anunciada dedução de oposição à penhora, a Fundação espera que o Tribunal Constitucional e o Tribunal da Relação do Porto “obriguem o tribunal arbitral a rever a sentença” condenatória do Hotel Parque Serra da Lousã.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com