Coimbra  22 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mira recusa maioria das competências, com excepção do património

31 de Janeiro 2019

A Câmara de Mira rejeitou, hoje, por unanimidade, a transferência da maioria das competências do Estado para as autarquias proposta pelo Governo, assumindo apenas a gestão do património imobiliário público, revelou à agência Lusa o presidente deste Município.

Segundo Raul Almeida, a autarquia gandaresa considera que “não há condições de facto, designadamente financeiras, humanas e organizacionais, para se operar a transferência de competências”.

Devido ao apoio unânime dos partidos, a decisão de recusar a transferência de competências deverá ser ratificada facilmente, hoje à noite, na Assembleia Municipal extraordinária, convocada para discutir o impacto dos primeiros 11 diplomas de descentralização publicados pelo Governo.

Raul Almeida antecipa que “a preocupação com a ausência de um envelope financeiro” levará Mira a recusar, também, a transferência de competências prevista nos quatro diplomas publicados na quarta-feira, que ainda não foram apreciados pela autarquia, nas áreas da saúde, cultura, educação e protecção animal e segurança alimentar.

Mira aceita apenas a transferência de competências no domínio da gestão do património imobiliário público sem utilização, por considerar que é necessária uma intervenção urgente nesta área.

Em causa está, sobretudo, a recuperação de dezenas de casas dos antigos guardas florestais, espalhadas pela mancha florestal, em situação de ruína e abandono. A autarquia quer recuperar esses imóveis e adaptá-los a diversas actividades, nomeadamente como centros de interpretação ambiental ou vigilância florestal.

O Governo aprovou 21 diplomas sectoriais no âmbito da lei-quadro da transferência de competências para autarquias e entidades intermunicipais – num processo gradual de descentralização entre 2019 e 2021 -, faltando ainda aprovar o decreto de novas atribuições das freguesias.

Os 15 diplomas sectoriais, já publicados, abrangem a transferência de competências, para as autarquias, nas praias, jogos de fortuna ou azar, vias de comunicação, atendimento ao cidadão, habitação, património, estacionamento público, bombeiros voluntários e justiça, cultura, protecção e saúde animal e segurança dos alimentos, e, para as entidades intermunicipais, na promoção turística e fundos europeus e captação de investimento. Para ambas vão passar também competências na saúde e na educação.

As entidades intermunicipais podem, ainda, assumir novas atribuições no apoio a bombeiros voluntários e justiça, enquanto as freguesias também podem receber responsabilidades no atendimento ao cidadão.

As autarquias e entidades intermunicipais que não quiserem assumir em 2019 as competências dos decretos sectoriais publicados terão de o comunicar à Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), a maioria no prazo de 60 dias após a respectiva data da publicação e entrada em vigor, após decisão dos respectivos órgãos deliberativos.

 

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