Coimbra  13 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mira exige ao Governo “resolução imediata” sobre descargas poluentes

28 de Outubro 2019

Raul Almeida, presidente da Câmara Municipal de Mira, exigiu, hoje, ao novo Governo “uma resolução imediata” para as descargas poluentes do sistema da Águas do Centro Litoral (AdCL) que afectam os concelhos de Cantanhede e Mira.

Raul Almeida anunciou ainda que vai “solicitar com carácter de urgência reunião com o Ministério do Ambiente para solução imediata das descargas de efluentes não tratados no sistema hídrico de Mira”.

O autarca exige “ao ministro e nova secretária de Estado do Ambiente a resolução definitiva e rápida da construção da nova ETAR” [Estação de Tratamento de Águas Residuais], que foi anunciada há alguns meses como solução para o problema, mas que ainda não saiu do papel.

Avisando que vai dar conhecimento da situação “a todos os novos grupos parlamentares da Assembleia da República, bem como ao Provedor de Justiça”, Raul Almeida pede “medidas imediatas que resolvam transitoriamente o problema, evitando que se continue a prejudicar o meio ambiente e, mais grave, a saúde pública da população de Mira, acarretando tal situação proporções nefastas”.

O anterior Governo anunciou, em Junho, que será construída uma ETAR com tratamento terciário nas Cochadas, Tocha, num investimento de 10 milhões de euros, destinado a acabar com as descargas poluentes que afectam os dois concelhos da Gândara.

Com um prazo de construção de três anos, a nova ETAR será erguida numa zona próxima da actual Estação Elevatória das Cochadas, que é o foco dos problemas de contaminação de solos e águas nos dois concelhos.

Esta solução foi anunciada pelo secretário de Estado João Ataíde, depois de a Câmara de Mira ter interposto uma providência cautelar para impedir a empresa Águas do Centro Litoral (AdCL) de continuar a fazer descargas sem tratamento na estação elevatória das Cochadas.

“Esgotaram-se os prazos e esgotou-se a nossa paciência”, referiu na altura Raul Almeida.

Na referida providência cautelar, lembra o autarca, dá-se “nota do desfasamento do contrato de concessão com a realidade actual, uma vez que o mesmo não fornece solução para o problema do excesso de caudais entregues na entidade em alta”.

Uma das empresas mais afectadas pelas sucessivas descargas poluentes é a Moinhos do Arraial, situada em Casal de São Tomé (Mira).

O proprietário da empresa de cultivo de agrião, Rogério Guímaro, tem acusado repetidamente a AdCL de efectuar descargas na Vala Real “através de um tubo de grandes dimensões”, a montante da sua exploração agrícola.

Diversos partidos com assento parlamentar fizeram na anterior legislatura recomendações ao Governo para que resolva a situação.

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