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Ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demite-se do Governo

12 de Outubro 2018

O ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, apresentou, hoje, ao primeiro-ministro, António Costa, a sua demissão do Governo.

Fonte do gabinete do ministro da Defesa disse à Agência Lusa que o pedido de demissão já foi aceite pelo primeiro-ministro.

Na base do pedido de demissão de Azeredo Lopes estão os desenvolvimentos dos processos de investigação ao furto de material de guerra de paióis do Exército em Tancos e à parcial recuperação de armamento (que terá sido encenada).

O major Vasco Brazão, porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), disse que o ministro Azeredo Lopes tinha sido informado de todo o processo de encobrimento do crime ocorrido em Tancos através de um memorando entregue ao chefe de gabinete do governante.

Azeredo Lopes negou “categoricamente” ter tido conhecimento da situação e o antigo chefe de gabinete do ministro confirmou ter-se reunido com o major Brazão e o coronel Luís Vieira, director da PJM, mas negou ser “possível descortinar qualquer facto que indiciasse irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos”.

O memorando foi entregue no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), disse Vasco Brazão. “A documentação verdadeira foi entregue, hoje no início da tarde, no DCIAP, pelos serviços do meu advogado”, precisou.

Segundo o Expresso, o documento entregue no DCIAP era explícito na explicação da operação que foi montada pela PJM em torno da recuperação das armas furtadas, incluindo uma chamada anónima para o piquete daquela Polícia.

Durante todo o processo, António Costa mostrou o seu apoio ao ministro, defendo que Azeredo Lopes era um “activo importante” no Governo e que a sua confiança permanecia “inalterada”. No debate quinzenal de quarta-feira, Costa reforçou que o governante não tinha conhecimento da operação de Tancos.

A confirmar-se que Azeredo Lopes sabia da operação, o agora ministro demissionário pode vir a ser constituído arguido da “Operação Húbris” por eventual co-autoria dos crimes que estão a ser imputados aos militares, entre eles associação criminosa, denegação de Justiça, tráfico de armas e favorecimento.

 

 

 

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