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Ministério da Cultura estuda “soluções possíveis” para Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

17 de Abril 2024 Jornal Campeão: Ministério da Cultura estuda “soluções possíveis” para Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

O Ministério da Cultura afirma que está “a analisar as soluções possíveis” para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, espaço central para a bienal Anozero e que está num processo para ser transformado num hotel.

O Ministério da Cultura “está a analisar as soluções possíveis, no quadro das limitações que decorrem dos compromissos já assumidos”, disse à agência Lusa, numa resposta escrita, fonte oficial do gabinete de Dalila Rodrigues, quando questionada sobre se haveria vontade do actual Governo de rever o processo.

“Desde que o actual Governo tomou posse no passado dia 2 de Abril, a ministra da Cultura tem mantido contacto com o director da Bienal, bem como com o senhor ministro da Economia, por se reconhecer que a bienal Anozero se concilia harmoniosamente com as componentes histórico-artísticas do monumento, não obstante a necessidade da sua reabilitação”, vincou fonte do Ministério.

A 10 de Abril, a Turismo de Portugal confirmou que a empresa Soft Time venceu o concurso público para a concessão e transformação num hotel de cinco estrelas do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, espaço central para a programação da bienal de arte contemporânea de Coimbra Anozero, que já admitiu que, com as condições previstas naquele processo, poderia acabar.

Na resposta, a tutela lamentou que, no processo de transição, não tenha havido “qualquer referência à bienal Anozero, o que deixa claro que, para o anterior Executivo, esta situação era irreversível”.

O gabinete de Dalila Rodrigues recorda que foi o Governo anterior, liderado pelo PS, que decidiu transformar o Mosteiro numa unidade hoteleira, no âmbito do Revive (programa destinado à transformação e requalificação de património do Estado), “comprometendo a possibilidade de a bienal Anozero prosseguir naquele espaço, nas condições em que a sua organização preconiza”.

A 10 de Abril, a Turismo de Portugal informou que foi dada como encerrada a fase pré-contratual do concurso lançado no Revive, que previa a transformação de uma área edificada de cerca de 13 mil metros quadrados num hotel de cinco estrelas, com um prazo de concessão de 50 anos.

O procedimento público contou com duas propostas, mas a empresa que ficou em primeiro lugar desistiu do processo, tendo sido posteriormente contactada a Soft Time.

No mesmo dia desse anúncio, o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), entidade que coorganiza e produz a Anozero, disse que estavam “reunidas as condições” para a bienal acabar, face ao avançar do processo.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, referiu que aquele monumento “não pode continuar a degradar-se como tem estado a acontecer”, mas admitiu que o Município estaria disponível para considerar “todas as hipóteses que tragam associadas investimento”.

“Se alguém conseguir investimento público para recuperar o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e o orientar para outro destino, nomeadamente para a bienal, nós teremos todo o gosto nisso”, frisou.

Também na segunda-feira, centenas de pessoas, entre agentes culturais, públicos e profissionais do meio, assinaram uma carta aberta (https://tinyurl.com/BienalNoMosteiro) dirigida ao primeiro-ministro, ministra da Cultura, ministro da Economia e presidente da Câmara de Coimbra a defender a bienal Anozero no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.