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Miguel Castelo Branco, da UC, é um dos vencedores do prémio FLAD Life

27 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Miguel Castelo Branco, da UC, é um dos vencedores do prémio FLAD Life

O médico e neurocientista Miguel Castelo Branco, do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), da Universidade de Coimbra (UC), venceu a segunda edição do prémio FLAD Life Science 2020, a par de João Morais-Cabral, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto (UP).

Os dois investigadores, que trabalham na área do autismo (Miguel Castelo Branco) e do antibiótico (João Morais-Cabral), receberam uma bolsa de 400 000 euros cada um, atribuída pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), ontem (26), em Lisboa.

O prémio FLAD Life é o maior concedido a investigadores nacionais que trabalham em Portugal e que, nesta edição, decidiu distinguir dois projectos científicos: o de Miguel Castelo Branco trata-se de uma investigação aplicada sobre o autismo, e o de João Morais-Cabral, uma investigação fundamental que poderá ajudar ao desenvolvimento de antibióticos mais eficazes.

O investigador conimbricense revelou-se satisfeito com a distinção, acrescentando ao Diário de Notícias que “o prémio dá mais visibilidade a estas doenças e é um reforço financeiro importante, porque não há muitas fontes de financiamento para estas áreas”.

Agora com a bolsa, Miguel Castelo Branco pretende desenvolver a investigação no sentido de “identificar melhores soluções de diagnóstico para o autismo (…) e no final podem-se ter melhores diagnósticos para vários subtipos de autismo”, explicou ao DN. O outro objectivo do estudo é encontrar novas soluções terapêuticas ou abrir caminho para elas.

Em Portugal, o neurocientista do ICNAS desenvolve a investigação em humanos, tendo como parceiro desta investigação Alcino Silva, da Universidade da Califórnia, que trata o mesmo tema mas em ratos.

“Nós começámos a trabalhar nesta área há dez anos com as nossas técnicas de imagiologia, e quando publicámos os primeiros resultados, o Alcino Silva interessou-se, e temos falado desde então”, contou Miguel Castelo-Branco. “Este projeto permite agora a nossa primeira colaboração”, sublinhou.

No caso de João Morais-Cabral, o prémio irá permitir que um elemento da equipa passe uma temporada no Bayor College of Medicine, no Texas, para trabalhar com o grupo de Zhou Ming, parceiro desta investigação.

O projecto centra-se no estudo do equilíbrio nas células entre o potássio e o sódio. “Sabemos que nos seres humanos o mecanismo que regula este equilíbrio é diferente daquele que faz o mesmo nas bactérias, e isso permite pensar que, se pudermos agir, com um fármaco por exemplo, sobre este processo nas bactérias, isso não interfere com o mecanismo humano”, salientou ao DN o investigador. Se o estudo confirmar esta hipótese, então esse poderá ser um caminho para desenvolver novas terapêuticas antibacterianas.

Segundo a FLAD, este prémio “contribui para a sustentabilidade, o aprofundamento e a internacionalização da investigação nacional, através de um concurso dirigido a investigadores vinculados a instituições portuguesas, que produzem ciência em estreita cooperação científica com instituições nos Estados Unidos da América”.