Coimbra  16 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Metrobus: Vereadora associa concurso “à pressa” a ano eleitoral

3 de Fevereiro 2019

A vereadora da Câmara de Coimbra Ana Bastos (independente) considera haver precipitação no lançamento do concurso para a primeira fase do Metrobus e atribui isso a “ano de eleições”.

“Por que muda o Governo de ideias, mais uma vez, e opta por abrir a linha suburbana sem garantir a continuidade do serviço até à «Baixa» e a Coimbra-B”?, questiona, em declarações ao “Campeão”, a autarca eleita pelo movimento “Somos Coimbra”, professora universitária especializada em mobilidade.

O lançamento do concurso para a primeira fase do Metrobus, projecto concebido em alternativa ao Ramal ferroviário da Lousã para ligar Serpins a Coimbra, vai ocorrer, segunda-feira (04), em Miranda do Corvo, com a presença do primeiro-ministro e do ministro do Planeamento e Infra-estruturas.

O Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), pelo menos por ora, “fica mesmo às portas da cidade, largando os passageiros no Alto de S. João e obrigando-os ao transbordo para a rede dos SMTUC, ao contrário do que sempre foi anunciado”, acentua a autarca.

Ana Bastos faz notar “saber-se, de antemão, que a linha suburbana não garante uma exploração economicamente sustentável [do SMM] nem responde às necessidades básicas dos utilizadores”.

“Só mesmo a vontade em «cortar fitas», propagandear o (falso) respeito pelos calendários, mostrar obra concursada (mas não feita), em ano de eleições, e de manipular a opinião pública pode obrigar ao transbordo numa estação fisicamente condicionada”, opina a vereadora independente.

Segundo a docente universitária, “corre-se seriamente o risco de, ao lançar à pressa o concurso da primeira fase, apenas porque vai haver eleições, se vir a condicionar o desenvolvimento do projecto global, ou de justificar, à posteriori, obras de reformulação do trecho suburbano com despesas adicionais”.

“Nada justifica o secretismo que tem envolvido este projecto estruturante para a cidade e concelho de Coimbra”, adverte a autarca, lamentando que a Câmara conimbricense tarde em abrir o processo à participação pública.

Para ela, é “preocupante e inaceitável que, em vésperas de lançamento de concurso, a população continue a ignorar qual o serviço a prestar, qual o sistema de guiamento automático a implementar nos túneis e viadutos e qual vai ser a velocidade máxima operacional, quando se sabe tratar-se de um parâmetro determinante da qualidade do serviço oferecido e da competitividade” do SMM.

“De 80 a 90 quilómetros/hora, estimativa inicialmente assegurada pelo Metro ligeiro ferroviário, veio a sociedade Infra-estruturas de Portugal, em Setembro de 2018, assumir a necessidade de baixar a velocidade para 60; mantinha, no entanto, em aberto se, face à exiguidade dos túneis e viadutos, o sistema óptico de guiamento é ou não compatível com a prática desta velocidade em segurança, sem risco, entre outros problemas, de embate nas paredes dos túneis”, adverte a professora universitária.

Neste contexto, Ana Bastos questiona “por que escondem das pessoas qual vai ser o sistema de guiamento” e pergunta se “será que já decidiram ou ainda não”.

“Mas muitas outras dúvidas se levantam: quais os sistemas tecnológicos previstos, forma de alimentação (carga contínua ou limitada às paragens, sistema tradicional de catenárias ou tecnologias via wireles com energia transferida por indução), quais os requisitos do material circulante, os quais condicionam, entre outros, o traçado da linha e o dimensionamento das paragens e estações (comprimentos e altura dos cais)”?, questiona.

Para a vereadora, “não menos preocupante é o protelamento, mais uma vez, do projecto no trecho urbano, agora para 2022, quando ainda em Dezembro [de 2018] se previa entrar em funcionamento em 2021”.

“Suscita igualmente preocupação”, prossegue a edil, “a condicionante imposta pelo ministro Pedro Marques com a alusão a ‘se for esse o compromisso e o acordo das autarquias’”.

Estará subjacente a este compromisso a aceitação prévia e sem contestação das soluções impostas pela Infra-estruturas de Portugal” (IP)?, interroga a professora universitária.

Segundo Ana Bastos, Coimbra “tem de exigir um projecto pioneiro estruturado, tecnologicamente avançado, e que assegure fiabilidade e qualidade, configurando-se como um modelo inovador e de vanguarda a ser replicado noutras cidades nacionais ou europeias”.

“Que os atrasos anunciados sirvam para corrigir os erros do passado”, designadamente o repensar da variante à avenida de Fernão de Magalhães, para assegurar a cobertura do Polo I da Universidade e para questionar a supressão do túnel de Celas são votos formulados pela vereadora do movimento cívico, alegando ser “altura de deixarmos de pensar «pequenino» e sem ambição”.

Neste contexto, Ana Bastos reclama que a IP e a Câmara Municipal de Coimbra “quebrem o secretismo enganador que tem rodeado todo este dossiê e envolvam nos processos de decisão as entidades interessadas e os cidadãos directamente afectados, garantindo que as suas sugestões e críticas são analisadas cuidadosamente e de forma imparcial”.

 

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