Coimbra  20 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Metrobus no Ramal da Lousã chega a Coimbra em 2021

4 de Fevereiro 2019

MetroBus Miranda

Desde hoje e até inicio de Maio está aberto o concurso para as empresas apresentarem propostas para a construção do primeiro troço do Metrobus do Mondego, entre Serpins (Lousã) e o Alto de São João (Coimbra).

O concurso para o troço suburbano representa um investimento de 25 milhões de euros e a empreitada deverá estar concluída no prazo de 15 meses após a adjudicação, prevendo-se que o sistema de transportes comece a funcionar de forma faseada a partir de 2021.

O ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, considera que a opção por autocarros eléctricos no Ramal da Lousã privilegia a descarbonização e “serve melhor” as populações do que o transporte ferroviário.

Pedro Marques salientou, hoje, em Miranda do Corvo, que a nova versão do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) – em que o projecto inicial do metro sobre carris é substituído pelo denominado Metrobus” – “é o que serve muito mais a mobilidade”, além de “servir melhor as populações”.

O ministro intervinha nos Paços do Concelho daquela vila, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, em que o Governo procedeu ao lançamento do concurso público da empreitada do primeiro troço do SMM, entre Alto de São João e Serpins, nos municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã, respectivamente.

“Conseguimos!”, começou por afirmar Pedro Marques, realçando que esta empreitada do SMM avança em resultado de “um processo extremamente difícil e complexo”, mas que já “não volta atrás”.

Coordenado pela sociedade Infra-estruturas de Portugal, responsável pelas obras e cujo presidente, António Laranjo, também interveio na sessão, o trabalho de preparação do novo projecto de mobilidade para o centenário Ramal da Lousã e a cidade de Coimbra envolveu “vontades e capacidades técnicas de muita gente” e diferentes entidades públicas e privadas, designadamente o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), entre outras.

“Estamos a rasgar caminho novo de enorme complexidade técnica”, disse, para frisar que o Governo, as autarquias e demais intervenientes no processo fizeram esforços para que a solução fosse “compreendida pela população”.

Pedro Marques reconheceu que “de alguma maneira” as populações de Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra “não compreenderam” o encerramento do Ramal da Lousã, num primeiro momento, em Janeiro de 2010, e agora a própria opção pelo MetroBus.

No entanto, na sua opinião, “não havia maneira de fazer um investimento dessa natureza”, num sistema de metro ligeiro ou mesmo ferrovia convencional, com comboios a ligar o interior do distrito à cidade de Coimbra e à Linha do Norte, como aconteceu durante mais de 100 anos.

“Não era economicamente viável”, reiterou Pedro Marques, depois de o presidente da Câmara de Miranda do Corvo, o socialista Miguel Baptista, ter afirmado que os utentes do Ramal da Lousã e as populações em geral reclamavam há nove anos a retoma da ligação ferroviária a Coimbra.

Ainda assim, para o governante, a opção pelos autocarros eléctricos é “uma solução à altura daquilo que as populações mereciam”. “Esta é uma mobilidade limpa, uma mobilidade do futuro”, acentuou Pedro Marques, durante a apresentação do SMS e do primeiro troço das obras, que custará 25 milhões de euros.

Por sua vez, Miguel Baptista recordou que os últimos anos, desde o encerramento do Ramal da Lousã, para obras iniciadas em 2010 e nunca concluídas, foram “um período muito difícil”.

O autarca do PS disse que “a solução ferroviária era ambicionada pela maioria da população”, que tem lutado pela reposição da circulação de comboios, com investimentos na modernização e electrificação do Ramal da Lousã, que funcionava desde 1906.

Durante mais de um século, a região foi servida pela ferrovia, desmantelada e encerrado pelo último Governo de José Sócrates, para obras que visavam a instalação do metro e que foram suspensas algum tempo depois devido a problemas financeiros.

Desde que o Ramal da Lousã foi encerrado, os utentes do antigo comboio passaram a ser transportados em autocarros de empresas privadas, ao abrigo de sucessivos concursos públicos, que já custaram à CP cerca de 10 milhões de euros.

Fim de um impasse

Por outro lado, o primeiro-ministro considerou que “o Governo colocou fim ao impasse acumulado ao longo de quase uma década” no antigo Ramal da Lousã, com o lançamento do concurso para a instalação de um sistema de Metrobus.

“Foi necessário definir um modelo de transporte, mas mais importante do que isso foi essencial garantir o financiamento da solução aqui prevista”, disse o líder do Governo, que em Dezembro incluiu a obra na reprogramação dos fundos comunitários do Portugal 2020.

O primeiro-ministro sublinhou que “o concurso está aberto, com financiamento assegurado e em condições de a obra ser levada até ao final”, rejeitando que se esteja ainda “a falar de ideias” e de “projectos”.

“Queremos acreditar que depois de muitos anos onde o investimento público esteve fortemente retraído, onde durante anos muitas empresas estiveram sem condições de laborar, é agora uma oportunidade para as nossas empresas se puderem animar e contribuírem também para o crescimento da economia através da realização desta infraestrutura da maior importância para a região”, sublinhou.

O SMM prevê a instalação de autocarros eléctricos (MetroBus) entre Serpins (Lousã) e Coimbra-B, com uma linha urbana até ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), numa extensão total de 42 quilómetros e um investimento estimado de 125 milhões de euros.

Para António Costa, o SMM é também o “melhor projecto que se adapta à revitalização da cidade de Coimbra, porque esta solução [Metrobus] tem a vantagem de não ficar às portas da cidade, pode entrar no miolo e ajudar à revitalização do conjunto da cidade”.

Segundo o primeiro-ministro, este projecto é um exemplo de como o “país precisa de um Programa Nacional de Infraestruturas, que seja devidamente debatido, discutido e ponderado nas diferentes soluções alternativas e depois haja decisão e determinação na sua execução”.

 

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