Coimbra  13 de Julho de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Mel da Serra da Lousã sofre impacto do clima pelo segundo ano consecutivo

12 de Outubro 2023 Jornal Campeão: Mel da Serra da Lousã sofre impacto do clima pelo segundo ano consecutivo

A produção de mel na Serra da Lousã registou este ano uma colheita muito reduzida, à semelhança do que aconteceu em 2022, devido às condições climáticas adversas.

Ana Paula Sançana revelou que em 2022, os cerca de 200 associados activos entregaram à cooperativa aproximadamente cinco toneladas de mel, um número que já estava muito abaixo de valores alcançados na última década.

A directora executiva da Lousãmel admitiu que o levantamento das produções mais recentes dos apicultores da região demarcada do mel com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Lousã, por motivos administrativos associados ao processo de certificação, ainda não está concluído, apesar da colheita ter ocorrido entre Julho e Agosto.

“O caderno de certificações da Serra da Lousã está a ser alvo de alterações”, explicou, enfatizando que 2023, de uma forma geral, foi um ano desafiante.

No entanto, a quantificação das colheitas, referidas como “crestas” no mundo apícola, ainda está em fase de avaliação, salientou Ana Paula Sançana.

“Alguns apicultores já não certificam o mel devido aos elevados custos associados ao processo”, lamentou.

Nos últimos anos, enfrentando crescentes desafios relacionados com as alterações climáticas, bem como ataques da varroa e da vespa asiática às colmeias, a Lousãmel tem lutado para manter o mel DOP Serra da Lousã como um símbolo da região.

“É crucial certificar para garantir a qualidade do produto”, afirmou a responsável técnica da Lousãmel, cuja sede fica na Zona Industrial dos Matinhos, na Lousã, e cuja direcção é presidida pelo apicultor António Carvalho.

Ana Paula Sançana assegurou que “a qualidade do mel continua excelente”, num ano em que, reforçou, as quantidades colhidas são novamente muito reduzidas, de acordo com dados preliminares fornecidos pelos produtores.

“Estamos a perder biodiversidade”, referiu, destacando que a seca foi um dos principais factores que contribuiu para os resultados fracos do sector, tanto na região delimitada quanto em todo o país.

Actualmente, o mel DOP Serra da Lousã tem um preço de mercado de 16 euros por quilo.

Em 2018, a quantidade de mel certificado foi de apenas 900 quilos, a mais baixa dos últimos 30 anos, devido aos graves incêndios de 2017, que consumiram vastas áreas florestais predominadas por urzais, cujas flores são fundamentais para as características únicas deste mel.

A tonalidade escura é uma das características distintivas deste mel, que os apicultores aproveitam para vender na Feira do Mel e da Castanha da Lousã, cuja 32.ª edição deverá ter lugar de 17 a 19 de Novembro.

Esta iniciativa, organizada pela Câmara da Lousã em colaboração com a Lousãmel, habitualmente decorre no Parque Municipal de Exposições, atraindo milhares de visitantes a esta vila do distrito de Coimbra.

O mel DOP Serra da Lousã é produzido nos municípios de Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Vila Nova de Poiares, nos distritos de Coimbra e Leiria.