Coimbra  23 de Janeiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Medidas evacuação são preventivas e Montemor, Soure e Coimbra preocupam

21 de Dezembro 2019

Zona envolvente ao Centro Social de S. João, em Pé-de-Cão, na União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades (uma das zonas com ordem para evacuação) ao final da tarde de hoje

 

As medidas de evacuação, em particular no concelho de Coimbra, são preventivas e devem-se à “incerteza e insegurança” quanto às próximas horas, referiu Carlos Tavares, comandante distrital da Protecção Civil.

“Há um risco de cheia que não conseguimos eliminar, mas apenas mitigar e isso é o que temos feito desde quinta-feira (18), o dia de início do alerta laranja”, sublinhou o responsável durante uma conferência de imprensa, ao início da noite de hoje, adiantando que os concelhos mais preocupantes são, neste momento, Montemor-o-Velho, Soure e Coimbra.

Aliás, desde esse dia que no distrito já se registaram 1165 ocorrências nos 17 concelhos, desde queda de árvores, deslizamento de terras, inundações e, também, cheias.

Segundo Carlos Tavares, a barragem da Aguieira, que chegou aos 94 por cento da sua capacidade, vai continuar a fazer descargas, tendo o Açude-Ponte chegado a debitar 2200 metros cúbicos de água por segundo quando o seu limite são 2000 m3/segundo.

Assim, “atendendo à incerteza e insegurança foram tomadas medidas de prevenção”, essencialmente, para as populações das duas margens do Mondego, sendo que “a situação mais preocupante localiza-se a jusante do Açude-Ponte, na margem esquerda” (que entretanto recebeu ordem de evacuação, desde Bencanta até ao Ameal).

“A margem direita colapsou pelas 16h30, a montante de Formoselha, o que não nos causou grande preocupação porque a água está a escoar para os campos do Mondego”, revelou o comandante, adiantando que a ruptura é de cerca de 100 metros.

Contudo, a maior preocupação centra-se, agora, na “possibilidade de rebentamento da margem esquerda também”, notou o responsável, mas acrescentando que agora há mais algum “conforto”, já que o caudal do rio Ceira “baixou consideravelmente nas últimas horas” e o Açude-Ponte está a debitar o seu máximo (2000 m3/s) que ainda assim é menor do que o que aconteceu durante o dia de ontem e hoje.

No terreno (Soure, Coimbra e Montemor) estão cerca de 400 operacionais, de várias forças de Protecção civil e segurança (desde corporações de Bombeiros – de vários distritos – aos GIPS, GNR, PSP e Cruz Vermelha), aos quais se juntaram, entretanto, 14 fuzileiros da Marinha e Exército.

As populações nas localidades de Coimbra com ordem de evacuação estão a proceder a essa acção. Em Montemor-o-Velho foram retiradas de casa mais de 200 pessoas e 12 no concelho de Soure.

“A quantidade de água na barragem da Aguieira é muita, pelo tem de ser libertada. Resta esperar pelos próximos dias e ver se as margens e os diques aguentam”, afirmou Carlos Tavares.

À semelhança dos concelhos de Tábua e Lousã, também Arganil está com falhas no abastecimento de água, em particular nas localidades de Sarzedo e na Zona Industrial da Relvinha e Gândara.

A Águas do Centro Litoral (AdCL) explica que “devido ao aumento do nível do rio Alva na zona da Alagoa, a captação de água ficou inundada, tendo danificado os equipamentos existentes”.

“Assim sendo, não existe, neste momento, condições de segurança para aceder à estação de tratamento de água (ETA) e proceder à reparação desses equipamentos. Nesse sentido, a AdCL informa que poderá haver interrupção do abastecimento de água nas [referidas] localidades até que estejam reunidas condições de segurança para aceder à captação”, nota a empresa.

Está ainda activo o Plano Distrital de Emergência, bem como os planos municipais de Coimbra, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Soure, Tábua e Oliveira do Hospital.

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