Coimbra  27 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Médicos do Centro alertam tutela que SNS24 encaminha crianças sem critério clínico

30 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Médicos do Centro alertam tutela que SNS24 encaminha crianças sem critério clínico

Num documento enviado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) ao Ministério da Saúde e à Direcção-Geral da Saúde, os profissionais alertam a tutela para os procedimentos que “Linha SNS24” tem estado a utilizar, nomeadamente, no que diz respeito ao encaminhamento de crianças e jovens sem critério clínico para as urgências hospitalares.

“Com o recrudescimento de novos casos de COVID-19, no contexto do regresso às aulas na região Centro e perante a crescente preocupação manifestada pelos pais com os seus filhos menores, a SRCOM reclama, com urgência, a definição de um plano seguro e com medidas inequívocas no âmbito da resposta pediátrica”, afirma, notando que “há crianças a ir às urgências hospitalares sem necessidade, não há estruturas extra-hospitalares para a realização de testes às crianças mais pequenas e, nas críticas, nem a linha SNS24 escapa”.

Segundo os Médicos do Centro, “a realidade afigura-se bastante problemática, na sequência das conclusões da reunião com os directores de serviço de Pediatria dos hospitais da região Centro”.

“No âmbito de casos suspeitos de covid-19 em crianças e jovens, cada unidade hospitalar tem os seus procedimentos próprios, falta clareza nas medidas a adoptar nestes casos. Solicitamos, por isso, a intervenção urgente da tutela para que se evitem situações caóticas ao nível das instituições de saúde, nomeadamente nos serviços de urgência, nas famílias e nas escolas”, alerta Carlos Cortes, presidente da SRCOM.

Neste contexto de falta de clareza nos procedimentos, Carlos Cortes denuncia que são inadequadas as orientações da linha SNS24. “As orientações dadas pela linha SNS24 em relação a crianças são frequentemente incorrectas do ponto de vista da referenciação já que muitas situações não urgentes são sistematicamente encaminhadas para os serviços de urgência de pediatria”. Assim, realça, sucedem-se os casos, perante a indefinição de critérios da linha SNS24, em que as crianças são encaminhadas para os serviços de urgência dos hospitais sem qualquer critério clínico de gravidade que o justifique, sendo, muitas vezes, apenas para a realização de teste SARS-CoV-2.

“Deve ser reforçada a importância e a necessidade de rever as possibilidades de articulação entre os cuidados hospitalares e os cuidados de saúde primários na orientação das crianças com doença aguda, de forma a tentar evitar o recurso a serviços hospitalares de urgência pediátricos em casos em que tal não é efectivamente necessário em termos clínicos”, afirma o presidente da SRCOM.

Estes e outros problemas foram descritos numa carta endereçada ao Ministério da Saúde, Direcção-Geral da Saúde e Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) para que a tutela “promova, de forma urgente, a articulação entre os serviços hospitalares, cuidados de saúde primários e autoridades de saúde pública da região Centro”.

“Neste contexto tão exigente e complexo é necessário, com muita urgência, um documento oficial orientador”, exorta Carlos Cortes.

Recorde-se que a SRCOM está fortemente empenhada em enquadrar o regresso ao quotidiano em contexto social, laboral e familiar num contexto de responsabilização colectiva, estando a levar a cabo uma campanha de prevenção e sensibilização na região Centro, para que todos os cuidados sejam colocados em prática em relação ao risco de infecção com covid-19, designadamente distância social, protecção individual e higienização.

Sob o lema ‘Respeito Pela Vida’, esta campanha apela à adopção de boas práticas de saúde pública e de comportamentos seguros.