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Médicos criticam inabilidade do Ministério no caso da nova maternidade

9 de Março 2017 Jornal Campeão: Médicos criticam inabilidade do Ministério no caso da nova maternidade

A criação de um grupo de trabalho para estudar a nova maternidade de Coimbra, por parte do Governo, levou à crítica da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), que lamenta a “inabilidade do Ministério da Saúde” neste caso.

O despacho 1897-A/2017 assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que criou o grupo de trabalho e que deverá apresentar resultados até 15 de Abril, é criticado pelo presidente da SRCOM, Carlos Cortes, considerando que “protelar a construção da Maternidade de Coimbra é aumentar ainda mais a agonia das duas maternidades existentes na cidade. A realidade já é alarmante, não se pode esperar mais nem deitar para o lixo estudos técnicos efectuados desde 2012”.

Segundo o líder dos médicos do Centro, “é inadmissível voltar a criar mais um grupo de trabalho quando, em 2012, foi delineado um projecto com base numa avaliação técnica multidisciplinar”.

Mas Carlos Cortes vai mais longe e afirma que “este despacho é a prova de que o Governo faz o contrário do que promete uma vez que deita para o lixo uma avaliação técnica fundamentada e amplamente debatida”.

Em seu entender, “o processo da futura maternidade de Coimbra deve basear-se na evidência técnica e não em interesses políticos”. “Não devíamos estar a criar mais comissões e grupos de trabalho. Precisamos, urgentemente, de uma maternidade, o projecto existe, até já houve um reforço do capital estutário do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra”, realça o médico.

E deixa a pergunta: “É num mês que se faz um estudo com esta complexidade? Este é o exemplo paradigmático de criar comissões para nada fazer”.

As duas maternidades actualmente existentes em Coimbra, a de Bissaya Barreto e a de Daniel de Matos, segundo Carlos Cortes “continuam isoladas e funcionam à margem do processo de fusão que criou o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em 2012”.

Este arrastamento da nova maternidade está, diz o presidente da SRCOM “a colocar em risco a existência de serviços com qualidade assistencial reconhecida. Continua a faltar uma visão global do CHUC que é absolutamente fundamental para cimentar a fusão hospitalar e aprofundar mais ganhos em Saúde para a região”.

O médico termina salientando que, no passado mês de Dezembro, denunciou o desprezo da tutela face às maternidades de Coimbra, alertando para o facto de os “equipamentos e os espaços físicos não serem reabilitados desde 2012”.

É inadmissível protelar a solução. Está na altura de lançar o concurso para a construção de uma maternidade em Coimbra”, conclui Carlos Cortes.