Coimbra  5 de Dezembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Marcelo Nuno recupera bem em Luanda após ter contraído covid-19

23 de Julho 2020 Jornal Campeão: Marcelo Nuno recupera bem em Luanda após ter contraído covid-19

Figura bem conhecida em Coimbra, Marcelo Nuno encontra-se a recuperar bem após ter contraído a covid-19 em Luanda (Angola), onde trabalha, mas deixa o aviso: “é uma doença violentíssima e extremamente perigosa”.

Marcelo Nuno, economista que presidiu à empresa Águas de Coimbra, foi vereador e liderou o PSD a nível distrital, enviou de Luanda a mensagem de que, após ter adoecido no início deste mês de Julho, “está finalmente a recuperar e o corpo parece estar a ser finalmente capaz de vencer o vírus”.

No texto divulgado através do amigo Arnaldo Paredes, Marcelo Nuno deixa o seu testemunho: «Sendo um adulto saudável , praticante diário de desporto e de hábitos saudáveis, sempre acreditei que esta doença me ‘passaria ao lado’. Não foi assim. É uma doença violentíssima e extremamente perigosa. De repente estamos vulneráveis, sem defesas, sem forças e incapazes de fazer sequer o essencial: respirar. Por isso, cuidem-se e protejam-se para não passarem por nada do que tive que passar nas últimas semanas».

Para se ter uma noção do que é contrair o novo coronavírus eis um excerto do que conta Marcelo Nuno:

«Devo ter contraído a doença por volta do meu aniversário (30 Junho) e comecei a sentir os primeiros sinais de febre no dia 6 de Julho. Após uma semana de completa reclusão e sucessivas idas à clínica, os sinais foram-se intensificando (as primeiras abordagens indicavam não se tratar de covid) e a minha situação clínica foi-se degradando rapidamente e de forma dramática. Após um primeiro “internamento”, foi-me diagnosticada doença no dia 10 e confirmada com resultado positivo no dia 11.

Fui internado na clínica privada da Sagrada Esperança (Grupo Endiama) no domingo, dia 13 , onde cheguei com uma “pulmonia bipolar grave” e grandes/graves dificuldades respiratórias. Estava muito fraco (sem conseguir comer há praticamente 1,5 semana) e incapaz de realizar funções tão básicas como respirar ou falar.

Os exames médicos entretanto realizados confirmavam a degradação acelerada do meu estado de saúde e as médicas que me receberam achavam que iria ainda piorar o meu estado clínico. Durante uns dias estive a receber oxigénio e a respirar sempre com máscara e estava tão cansado que não conseguia sequer ir ao wc nem conseguia falar…

A médica que me assistiu continuava a achar que a situação se agravaria e que seria, porventura, necessário tomar medidas mais drásticas e mais complicadas. Foram momentos muito complicados e muito difíceis, mas felizmente não foi assim e, apesar das dificuldades em respirar, comecei a reagir e evidenciar primeiro pequenos sinais (agora sinais mais relevantes) de reacção e de superação à/da doença.

As saturações melhoraram e a febre finalmente desapareceu, embora as melhorias fossem, de facto, pouco perceptíveis porque continuava muito fraco e com dificuldades em respirar. Qualquer ataque de tosse parecia ser fatal e passei várias noites sem conseguir dormir 10 minutos sequer.

Finalmente, no sábado passado, comecei a sentir fome e a conseguir comer. Entretanto as melhorias começaram a ser mais evidentes e mais consistentes. Foram-me reduzindo as doses de oxigénio e até já respiro sem máscara e apenas, pontualmente, com recurso a uma cânula nasal».