Coimbra  24 de Fevereiro de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Maló de Abreu sai do PSD e pode vir a ser candidato a deputado pelo Chega

11 de Janeiro 2024 Jornal Campeão: Maló de Abreu sai do PSD e pode vir a ser candidato a deputado pelo Chega

António de Maló de Abreu, que ontem anunciou a saída de militante do PSD e a passagem a deputado independente, poderá vir a ser candidato pelo Chega nos círculos da emigração nas próximas eleições legislativas.

Conforme apurou o “Campeão”, Maló de Abreu, que foi eleito deputado social-democrata pelo círculo Fora da Europa, é considerado pelo Chega como uma boa hipótese para assumir uma candidatura por este partido naquele círculo, ou no da Europa.

O deputado António Maló de Abreu justificou a sua saída do PSD e da bancada social-democrata por não se rever na estratégia da Direcção do partido e “na inacção” da liderança da bancada, nomeadamente quanto às comunidades portuguesas.

Numa nota escrita enviada à Lusa, o deputado explicou, com mais detalhe, as razões que o levaram a informar a restante bancada que transmitiu ao secretário-geral que deixará o PSD, após 40 anos como militante, e ao presidente do grupo parlamentar social-democrata que passará à qualidade de não inscrito no que resta da legislatura.

“Fundamentalmente e verdadeiramente importante, não me revejo, de todo, na estratégia e na forma de se organizar o partido e de agir da sua Direcção. E não me revejo nas suas propostas em áreas sensíveis da governação”, refere o deputado.

“Assim como não me revejo na organização da Direcção do grupo parlamentar do PSD e na sua inacção relativamente, nomeadamente, às comunidades portuguesas – a quem devo justificações, porque por ter sido por elas eleito”, acrescenta.

Maló de Abreu recorda que, em 2022, foi cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Fora da Europa, salientando ter sido o único em que o PSD, “concorrendo sozinho, venceu”.

No entanto, lamenta que “sendo o único deputado do PSD eleito pela diáspora portuguesa” nunca tenha sido convocado para participar em qualquer reunião do Secretariado das Comunidades Portuguesas do partido, apesar de o integrar como deputado do PSD eleito pelos Círculos da Emigração, como determinava um regulamento interno aprovado pela anterior Direcção liderada por Rui Rio em 2018 (e que integrou como vogal).

“Enquanto deputado, solicitei repetidamente que o grupo parlamentar do PSD tomasse a iniciativa de promover, em plenário, um debate sobre a situação das comunidades portuguesas. Apesar de repetidas concordâncias, tal nunca se verificou, pelo que constato a falta de vontade política de o fazer, revelando assim – e de facto, um profundo alheamento, quando não desprezo, pelo assunto e pelos problemas dos nossos compatriotas da diáspora por parte da Direcção do GPPSD. Ou por outro obscuro motivo, talvez pessoal, que desconheço em absoluto”, lamenta.

Na nota, o deputado reitera a mensagem transmitida aos restantes 76 parlamentares do PSD, dando conta da suspensão definitiva da militância, e da comunicação, quer ao líder parlamentar quer ao presidente da Assembleia da República, que passará à condição de deputado não inscrito no que resta da XV legislatura.

“Sei bem que tão drástica decisão pode ser incompreendida ou mal interpretada. Mas é da vida – e é da minha vida, nunca abdicar dos meus valores e princípios. Nem entregar a outros, decisões que só a mim me cabem, por muito fraturantes e dolorosas que sejam”, refere, numa mensagem enviada na véspera do último plenário da XV legislatura, que se prolongará até ao início da nova, após as legislativas de 10 de Março.

Na mensagem, o deputado, que exerce funções de presidente da Comissão de Saúde na actual legislatura, diz que esta foi uma decisão pessoal, tomada “sem ouvir quem quer que seja, na solidão interior a que os momentos importantes e as situações de rutura” na vida e percurso pessoal exigem.

Na sequência da demissão do primeiro-ministro a 7 de Novembro, o Presidente da República anunciou que iria dissolver o Parlamento no próximo dia 15 de Janeiro e convocar eleições legislativas antecipadas para 10 de Março.

O Conselho Nacional do PSD reúne-se na próxima segunda-feira para aprovar as listas de candidatos a deputados, estando a decorrer esta semana as reuniões entre as estruturas distritais e representantes da Direcção.