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Mais de metade dos universitários do Porto pondera emigrar

28 de Fevereiro 2024 Jornal Campeão: Mais de metade dos universitários do Porto pondera emigrar

Mais de metade dos universitários do Porto pondera emigrar quando concluir os estudos. Os dados são avançados pela Federação Académica do Porto (FAP), após a realização de um inquérito que abrangeu 1.002 estudantes inscritos em instituições de ensino superior da cidade.

O estudo foi realizado a poucas semanas das Eleições Legislativas, – convocadas para 10 de Março –, e teve como objectivo analisar a percepção destes jovens em relação à igualdade de oportunidades, eficácia do modelo de ensino e perspectivas de futuro após o término do curso. “Apenas 17% dos estudantes declarou não pretender emigrar”, indica a FAP. A mesma revela que, ao analisar-se as áreas de formação, “o Direito é a área onde se encontra a menor percentagem de

estudantes a ponderar emigrar, com apenas 38% de respostas afirmativas. A percentagem mais elevada foi registada nos cursos da área das Ciências e Tecnologias, com 62% dos estudantes a declarar que pondera emigrar”.

Por sua vez, “nas Ciências Económicas, Letras e Comunicação, na Saúde ou nas Artes, as percentagens encontradas são semelhantes, com cerca de metade dos estudantes a responder afirmativamente quanto à possibilidade de trabalharem fora do país”, sublinha ainda.

Mais de metade teve explicações no secundário

A investigação aponta também que “53% dos estudantes da Academia do Porto tiveram explicações no Ensino Secundário e que o alojamento e a alimentação são as principais despesas dos estudantes, à frente da propina”. De acordo com o presidente da FAP, Francisco Porto Fernandes, “o facto de mais de metade dos estudantes ter tido explicações no ensino secundário é preocupante no que concerne à qualidade da escola pública e faz temer que muitos dos mais desfavorecidos tenham acabado por ficar pelo caminho”.

Relativamente às principais despesas dos estudantes, o estudo menciona que “a habitação assume-se como a despesa mensal que mais pesa nas contas dos 355 estudantes deslocados que responderam a este inquérito, com 35% dos inquiridos a afirmar gastar entre 200 euros a 300 euros por mês e cerca de 40% a declarar despesas acima dos 300 euros mensais”. A problemática do alojamento é, assim, criticada por Francisco Porto Fernandes. “Desde 2018 só foram concluídas 474 camas, ou seja 3%. O próximo Governo tem de ter sentido de urgência na concretização do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior pois só assim poderemos conquistar um Ensino Superior equitativo”, salienta.

De realçar que a alimentação leva 72% destes jovens a gastar mais de 100 euros por mês. Por fim, a FAP questionou os alunos sobre se alguma vez ponderaram interromper ou abandonar o Ensino Superior. Esta questão teve “46% dos inquiridos a responder afirmativamente”, conclui o inquérito.