Coimbra  15 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mais de 3 300 pais foram vítimas de violência dos filhos

15 de Novembro 2018

Mais de 3 300 pais ou mães precisaram da ajuda da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) nos últimos cinco anos por terem sofrido agressões por parte dos filhos, entre casos de violação ou tentativa de homicídio.

Segundo dados divulgados hoje pela APAV, entre 2013 e 2017, 3 369 pessoas pediram ajuda à associação por serem vítimas de violência doméstica por parte dos filhos, registando-se 3 387 processos de apoio e 7 076 factos criminosos.

Só no ano passado, a APAV recebeu 765 pedidos de ajuda, menos 62 casos do que em 2016, mas mais 208 do que em 2013, o que representa um aumento de 37 por cento em cinco anos.

Entre 2013 e 2017, em 2 752 casos a vítima era mulher, na maior parte com mais de 65 anos (44,6 por cento), viúva (28,2 por cento), e a viver num tipo de familiar nuclear com filhos (30,5 por cento).

No total dos 7 076 crimes registados, 2 805 (39,6 por cento) tinham a ver com maus tratos psíquicos, mas houve também 1 763 casos de maus tratos físicos, além de 1 130 casos de ameaça ou coacção ou 688 de injurias ou difamação.

Entre os números menos expressivos, há registo de 179 casos de roubo, mas também três casos de violação ou três tentativas de homicídio.

“Tendo em conta o tipo de problemáticas existentes, prevalece o tipo de vitimação continuada em cerca de 80 por cento das situações, com uma duração média entre os dois e os seis anos (13,2 por cento)”, refere a APAV.

Destaca, por outro lado, que na maior parte dos casos (55,2 por cento) as agressões ocorrem dentro da residência comum, apesar de o número de queixas/denúncias representar apenas 27,3 por cento face ao total de autores de crimes assinalados.

Relativamente ao autor dos crimes, os dados da APAV mostram que em 68,6 por cento dos casos são do sexo masculino e com idades entre os 36 e os 45 anos (17,7 por cento), já que na maior parte das situações (1 255) não se conseguiu saber a idade do autor do crime.

A APAV ressalva ainda que, no total dos anos, o número de agressores (3 579) foi superior ao de vítimas.

Em comunicado, a associação de apoio à vítima explica que estes actos se inserem dentro da violência filioparental, que se caracteriza por “actos violentos e intencionais de filhos em relação aos pais” e que envolvem ameaça, intimidação e domínio para a obtenção de controlo e poder.

“A vergonha e a manutenção do mito da harmonia familiar favorecem o secretismo em torno do problema, o que tem contribuído para uma intervenção menos desenvolvida neste campo do que noutros tipos de violência intrafamiliar (como o abuso/negligência dos filhos ou a violência entre parceiros íntimos)”, diz a APAV.

Por outro lado, salienta que este tipo de violência “não é um problema individual ou uma questão restrita ao contexto familiar”, tratando-se antes de “problema social, de justiça e de saúde pública”, o que tem levado a associação “a alertar a sociedade portuguesa para esta realidade, ainda obscura, da violência doméstica praticada pelos filhos contra os pais”.

“A violência doméstica, também na forma da violência filioparental, é um crime público que não pode ser remetido ao silêncio”, defende.

 

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