Coimbra  24 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Maioria dos Veteranos da UC votou pela destituição do dux veteranorum

14 de Fevereiro 2019

Alexandre Matias Correia é o novo dux veteranorum da Universidade de Coimbra

 

Depois de 19 anos enquanto figura maior da praxe coimbrã, João Luís Jesus foi destituído de dux veteranorum da Universidade de Coimbra (UC), dando lugar a Alexandre Matias Correia, que iniciou e deu a cara pelo movimento criado para destituir Luís Jesus.

A posição do movimento Conjurados XXI, um grupo de 15 veteranos da UC, foi conhecida no final de Janeiro, e classificada como “um velho taboo da Academia”. “O cargo de dux veteranorum está novamente a ser discutido livremente, após 19 anos privado da opinião dos estudantes”, afirma Matias Correia, admitindo que esta seria uma “última tentativa para reestabelecer a legitimidade a um dos órgãos mais históricos e relevantes da Academia, responsável pela defesa da História e Tradição. E isso, em Coimbra, quer dizer muito”, revela o veterano.

A votação do Conselho de Veteranos foi marcada para ontem (13), no Departamento de Física, tendo saído vencedor Matias Correia, com 117 votos a favor do afastamento de João Luís Jesus (sendo que apenas seriam precisos 112), num total de 137 votantes.

Após a destituição, Alexandre Matias Correia foi eleito para o cargo, com um total de 111 votos. O novo timoneiro dos Veteranos da UC tem 25 anos e é, actualmente, estudante de doutoramento de Engenharia Electrotécnica.

No manifesto de mudança, os subscritores consideravam que “o actual Conselho de Veteranos está aquém dos deveres exigidos pelos estudantes. Facto esse, que descredibiliza tanto o próprio Conselho, como a própria imagem do estudante de Coimbra”. O mote para convidar os estudantes a votarem foi: “Em 19 anos Coimbra elegeu quatro reitores, será que se vai manter só com um único dux?”.

“Nós achávamos que [o dux] estava a fazer uma representação ilegítima, para além de estar há muito tempo no cargo. Ele não era estudante, fazia a matrícula apenas para ser dux e não era activo. Apenas trabalhava em prol da Queima das Fitas e as pessoas não o conheciam”, justificou Matias Correia à agência Lusa.

Para o novo dux, os estudantes e a sociedade viam “o Conselho de Veteranos como uma nódoa negra, um embaraço”, não sendo conferida qualquer “legitimidade ou credibilidade” ao órgão que regula a praxe da Universidade de Coimbra, bem como outras tradições académicas. “O meu objectivo é acabar com essa imagem e tentar devolver credibilidade a este órgão”, defendeu Matias Correia, sublinhando que só vai ficar, no máximo, quatro anos no cargo, querendo fazer uma revisão do código da praxe para estabelecer um limite de mandatos “para evitar este tipo de abusos”.

Quanto à posição do veterano destituído, João Luís Jesus afirma que “a reunião do Conselho de Veteranos é soberana. Decidiram isso, está decidido”, disse, recusando-se a comentar a decisão, por ser algo recente e ainda estar a “”digerir sobre o que se passou e o porquê desta tomada de posição”.
As decisões da reunião passam a ter efeito após a sua afixação no edifício da Associação Académica de Coimbra, que deve decorrer durante o dia de hoje.

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