Coimbra  9 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Maçonaria: Exposição em Coimbra é um roteiro humanista

13 de Março 2019

Uma exposição patente em Coimbra, até 30 de Junho, com o apoio da Câmara Municipal, alusiva à loja “A Revolta” do Grande Oriente Lusitano (GOL), constitui um roteiro humanista.

O filantropo Fernando Bissaya Barreto (falecido em 1974), o ex-governante Fausto Correia (cujo óbito ocorreu quando era deputado ao Parlamento Europeu, em 2007) e António Arnaut (falecido em 2018), criador do Serviço Nacional de Saúde, são três das figuras que sobressaem no segundo piso da Casa da Escrita (rua de João Jacinto).

Eminente cirurgião (doutorado em Medicina), Bissaya Barreto era licenciado em Filosofia e em Matemática, assumiu-se como republicano, ainda jovem, na fase final do regime monárquico, foi membro da Carbonária (sociedade secreta de cariz revolucionário) e tornou-se amigo do outrora primeiro-ministro António Oliveira Salazar ao ter tido como paciente a mãe do governante.

Embora haja sido dirigente da União Nacional, o médico declinou convites para exercer o cargo de ministro e dedicou-se a erguer uma vasta obra social.

Fausto Correia, falecido prematuramente, foi eurodeputado, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, membro dos governos de António Guterres, jornalista, gestor, líder distrital conimbricense do PS e presidente da Académica/OAF.

António Arnaut, antigo grão-mestre do GOL, foi ministro dos Assuntos Sociais, reputado advogado e escritor, co-fundador do Partido Socialista e membro do Conselho Superior de Magistratura.

Emídio Guerreiro (que viveu durante 105 anos), Fernando Vale, Vitorino Nemésio e António Luzio Vaz, todos falecidos, são outros dos nomes de vulto evocados na mostra patente na Casa da Escrita de Coimbra.

Outrora destacado dirigente do PSD, Emídio Guerreiro foi figura proeminente no combate à ditadura salazarista; Fernando Vale, médico e co-fundador do PS, era possuidor de estimulante optimismo e definia-se como “homem de esperanças profundas”; Nemésio, natural dos Açores, foi ensaista, poeta, romancista e um experimentado comunicador televisivo; António Luzio Vaz, jurista, foi vereador da Câmara conimbricense, administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra e presidente da Associação dos Antigos Orfeonistas da cidade.

Segundo o grão-mestre do GOL, Fernando Lima, “a construção de uma sociedade mais justa (…) motiva os maçons”, sendo que a Ordem, avessa a “tirania, ignorância, preconceito e erros, glorifica a Justiça, o Direito, a verdade e a razão”.

A loja “A Revolta” completou, a 06 de Março [de 2019], 110 anos de existência.

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