Coimbra  1 de Março de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Machado entre os socialistas que apoiam Marcelo, Ana Gomes diz que é o “centrão”

20 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Machado entre os socialistas que apoiam Marcelo, Ana Gomes diz que é o “centrão”

O presidente da Câmara de Coimbra e da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, está no grupo de 22 socialistas que anunciaram, hoje, o seu apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Presidente da República.

No texto, com o título “Votar para mobilizar Portugal”, é elogiado o primeiro mandato de Marcelo, pelo “respeito e valorização do quadro constitucional”, pela “estabilidade política e do diálogo político e social”, pela “defesa dos interesses nacionais”.

“Essa é a principal razão que nos leva a confiar que as continuadas afirmações do candidato Marcelo Rebelo de Sousa de assumir idêntica atitude num eventual segundo mandato lhe dão particular capacidade para merecer o voto popular”, afirma-se no texto subscrito por 22 personalidades do PS.

Entre os ex-governantes, contam-se Correia de Campos (antigo ministro da Saúde), Bernardo Trindade, antigo Secretário de Estado do Turismo, Guilherme d’Oliveira Martins (antigo Secretário de Estado das Infra-estruturas), José António Vieira da Silva (ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade Social), Pedro Marques, atual eurodeputado e antigo ministro das Infra-estruturas, e Vasco Cordeiro, ex-presidente do Governo Regional dos Açores.

Na lista, estão os presidentes de câmara Fernando Medina (Lisboa), o ex-candidato presidencial Basílio Horta (Sintra), Alberto Mesquita (Vila Franca de Xira), Alexandre Almeida (Paredes), Eduardo Vítor (Vila Nova de Gaia), José Manuel Ribeiro (Valongo), Manuel Machado (Coimbra), Miguel Alves (Caminha), Nuno Canta (Montijo), Nuno Mocinha (Elvas), Rui Santos (Vila Real) e Vitor Hugo Salgado (Vizela).

Há ainda dois deputados do PS, João Azevedo (Viseu) e Jorge Gomes (Bragança) e o deputado ao parlamento regional da Madeira Paulo Cafôfo.

O PS não apoiou formalmente nenhuma das candidaturas, mas militantes e dirigentes socialistas têm-se distribuído entre as candidaturas de Marcelo Rebelo de Sousa e de Ana Gomes, e, em menor número, manifestaram apoio a João Ferreira, apoiado pelo PCP e Verdes.

Ana Gomes diz que incomoda o “Centrão”

A candidata presidencial Ana Gomes afirmou, hoje, ser contra “o centrão dos interesses”, que diz incomodar, quando questionada sobre um documento assinado por 22 personalidades socialistas que apoiam Marcelo Rebelo de Sousa.

“Não me surpreende, sinto-me muito bem acompanhada por muitos e muitas socialistas, em particular jovens socialistas, que percebem que votar no candidato da Direita não é digno do PS de Mário Soares”, afirmou Ana Gomes, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Escola de Medicina da Universidade do Minho.

Questionada porque não conseguiu convencer destacados socialistas que assinam o documento, como Vieira da Silva ou Fernando Medina, a candidata remeteu a pergunta para os signatários, mas avançou uma explicação.

“Eu sou socialista e não acho que o centrão dos interesses sirva o país nem sirva a democracia e, portanto, eu sei que incomodo o centrão dos interesses”, afirmou.

A ex-eurodeputada do PS – partido que não deu indicação de voto para as eleições de domingo – recusou responder se estes apoios ao actual Presidente da República e recandidato ao cargo significam uma “traição” aos valores do PS.

“Não alinho nesse tipo de julgamentos, as acções ficam com quem as pratica”, disse.

A candidata repetiu, como tinha dito na terça-feira à noite numa conversa com jovens socialistas, que existe “um processo em curso para a Direita neoliberal se reorganizar”.

“É um processo que implica a colaboração da ultra-Direita, que até já identificou o representante da Direita com quem trabalharia muito bem: o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho”, afirmou.

“Qualquer bom entendedor percebe, os socialistas percebem”, acrescentou.

Ana Gomes deixou ainda uma pergunta no ar sobre o actual decreto presidencial que renova o estado de emergência até 30 de Janeiro: “Porque é que não previu ainda uma suspensão das prescrições na Justiça, a quem é que isso serve?”, questionou, apontando este como um exemplo do “centrão dos interesses”.