Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Lousã: Luís Antunes promete “manter atitude exigente” sobre o Metrobus

12 de Dezembro 2018

Satisfeito com a atribuição de fundos da União Europeia ao projecto do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), o presidente da Câmara da Lousã prometeu, hoje, “manter uma atitude exigente”.

Ao aludir a “outras situações que também é necessário tratar”, Luís Antunes (PS) acena com a “manutenção de uma atitude exigente”, cujo objectivo consiste na “implementação do serviço [de Metrobus] de acordo com o calendário definido”.

Como noticiou, sexta-feira (07), em primeira-mão, o nosso Jornal, através da edição electrónica, o SMM, concebido como alternativa ao Ramal ferroviário da Lousã, nunca havia garantido co-financiamento comunitário.

“Consciente da importância da mobilização de fundos comunitários” para a concretização do sistema de Metrobus (autocarros eléctricos), o autarca lousanense considera “muito positiva a confirmação plena e formal da afectação de 50 milhões de euros ao projecto no âmbito da reprogramação do Programa Portugal 2020”.

“Autêntico fiasco para Coimbra”

Pontos de vista diferentes acabam de ser expressos pelo movimento “Somos Coimbra”, representado por dois edis na vereação (11 membros) do Município conimbricense.

Ao opinar que o projecto de Metrobus vai ser “um autêntico fiasco para Coimbra”, o movimento cívico considera “intoleráveis sucessivas mentiras e enganos sobre o Sistema de Mobilidade do Mondego”.

Segundo os vereadores independentes da Câmara conimbricense, José Manuel Silva e Ana Bastos, “continuam por definir aspectos essenciais à viabilidade tecnico-financeira do projecto, como sejam, qual será o sistema de guiamento automático a adoptar nos túneis e pontes no trecho suburbano ou quando se iniciam os estudos de integração do Metrobus em meio urbano”.

“Enquanto o sistema ferroviário tinha sido projectado para 80/90 quilómetros por hora, para o Metrobus assume-se, agora, a velocidade de 60 quilómetros / hora, ou menos, significativa em matéria de perda de competitividade em relação ao automóvel”, além de consistir numa “adulteração total do conceito BRT – bus rapid transit”, advertem os edis independentes.

Para o movimento cívico, “os sinais dados pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC), que anda a enganar as pessoas, comprovam, só por si, o autêntico descrédito no projecto”.

A título de exemplo, José Manuel e Ana Bastos fazem notar que a requalificação do parque de Manuel Braga não devia ser alheia ao “impacte do Metrobus no traçado da avenida de Emídio Navarro” nem o “reforço dos muros de contenção da margem direita do rio Mondego” devia destoar da necessidade de “reequacionar a variante pela avenida de Fernão de Magalhães”.

“Coimbra não pode continuar a aceitar a solução minimalista que o Governo, através da empresa Infra-estrutras de Portugal (IP), tem vindo a impor e que em nada vai contribuir para alterar o paradigma de mobilidade urbana”, advoga o movimento cívico.

Ao preconizarem que a CMC “assuma um papel central de liderança e controlo dos projectos de integração no meio urbano”, os vereadores independentes defendem a construção de um túnel em Celas como “única solução capaz de assegurar com qualidade o atravessamento de um dos cruzamentos mais saturados da cidade”.

‘Somos Coimbra’ “não pode deixar de lamentar a forma como a IP, com a total conivência da CMC, desvirtuou e descaracterizou um projecto que deveria ser estruturante para Coimbra e decisivo para a alteração do paradigma de mobilidade urbana”, alegam José Manuel Silva e Ana Bastos

Para eles, caso as “premissas enunciadas se mantenham, estão postos em causa os princípios de fiabilidade do sistema, revertendo o Metrobus num serviço clássico de autocarros urbanos, eventualmente servido por veículos mais elegantes e caros”.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com