Coimbra  21 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Lousã investe 182 000 euros no regadio da ribeira de S. João

27 de Junho 2019

A recuperação e modernização do regadio da ribeira de São João, que serve 164 pequenos agricultores no vale da Lousã, vai custar mais de 182 000 euros e os trabalhos já começaram, anunciou, hoje, a Câmara Municipal.

A autarquia informa que a primeira fase da obra, iniciada no dia 17, “inclui a subida de cota no açude do Penedo, para alimentação do regadio”, bem como reparações “nos pontos críticos da regadeira”, que tem uma extensão de 3,7 quilómetros.

“A segunda fase, que inclui outros trabalhos, terá início no final do período de rega, entre Setembro e Outubro”, permitindo aos agricultores a utilização da água na época em que habitualmente é mais necessária.

Financiada por fundos europeus e prevista no orçamento do Município para 2019, a intervenção é da responsabilidade da Câmara da Lousã, presidida pelo socialista Luís Antunes, e da Associação de Agricultores do Regadio da Ribeira de São João.

“Esta infraestrutura tradicional centenária (…) apresentava um elevado estado de degradação”, segundo a Câmara.

Adjudicada à empresa Augusto Amado, a empreitada é financiada na totalidade pelo Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, através da medida “Melhoria dos Regadios Tradicionais”.

O projecto contempla a reabilitação e modernização da infraestrutura, entre a fábrica de papel do Penedo, no sopé da Serra da Lousã, e a Porta Reguenga, na planície, onde a regadeira tem uma bifurcação que leva a água a terrenos a norte da antiga estrada nacional 342, “dando-lhe condições adequadas para servir os regantes”.

São melhoradas a captação, a adução, com reabilitação integral do canal, e a distribuição, passando cada beneficiário a dispor de uma saída de rega.

“Com este investimento, que era um objectivo e uma necessidade dos utilizadores, será também possível controlar os consumos e reduzir as perdas de água num sistema que abrange cerca de 59,07 hectares de culturas”, refere a autarquia.

Durante o Verão e em cumprimento de regras habituais, a água que desce da montanha através da ribeira de São João é usada pelos agricultores e pela fábrica de papel, a mais antiga unidade do sector em laboração contínua em Portugal, que exporta para todos os continentes.

Até finais do século XX, essa água movia também moinhos e lagares de azeite que existiam ao longo da regadeira, quando a produção de cereais, com destaque para o milho, e o cultivo da oliveira tinham peso significativo na economia agrária do concelho.

No vale, a jusante da indústria papeleira, fundada há cerca de 300 anos, a ribeira de São João passa a designar-se rio Arouce, afluente do Ceira, o qual por sua vez desagua no Mondego.

A última beneficiação deste regadio foi realizada pelos antigos Serviços Hidráulicos do Mondego, há mais de 45 anos, antes da revolução do 25 de Abril de 1974, tendo o sistema sido então coberto em toda a extensão por centenas de peças de betão armado.

 

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