Coimbra  11 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Liga Contra o Cancro debate medicina de precisão em Coimbra

23 de Novembro 2019

Termina, hoje, o congresso “Cancro: da Medicina Personalizada à Medicina de Precisão”, promovido pelo Núcleo Regional do Centro, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, e que decorreu ontem (22) e hoje, no hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra.

O evento “lança o desafio para uma reflexão crítica acerca dos pressupostos, limites e possibilidades da medicina personalizada /medicina de precisão”, revela o Núcleo.

A iniciativa tem um programa científico multidisciplinar, que dá voz a especialistas nacionais e europeus.

“A LPCC, como organização da sociedade civil e no âmbito dos seus objectivos estatutários e actividades, necessita compreender e ajudar a comunicar os naturais progressos que vão sendo alcançados em todas as áreas da prevenção da doença oncológica, em prol da mesma sociedade civil”, afirma Vítor Rodrigues, presidente da direção da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).

“Este congresso vem abordar um tema recente que está e vai alterar o tratamento médico do cancro, com o recurso a medicamentos específicos para grupos de tumores com comportamentos biológicos diferentes ou para permitir o rastreio com maior segurança e eficácia”, explica Carlos de Oliveira, presidente do Congresso.

O académico Carlos Oliveira, organizador do congresso, afirmou que a medicina de precisão no tratamento de doenças oncológicas “ainda não está acessível a toda a população porque existem medicamentos que ainda não estão aprovados pela autoridade do medicamento Infarmed.

“Há medicamentos que estão de facto disponíveis, teoricamente, mas que ainda não passaram pela malha do Infarmed, que com toda a razão obriga a que haja uma evidência científica”, salientou o especialista.

Segundo o mesmo, “neste momento vive-se um pouco o dilema de estarem disponíveis medicamentos que são eventualmente eficazes em doentes com determinadas alterações genéticas, mas que ainda não completaram o crivo científico para se mostrar de facto que são de evidência e um benefício”.

“Isto é um tema bonito, que está no início. Só em 2013 é que o genoma humano foi descodificado e, portanto, em 2019, ainda estamos a dar os primeiros passos”, frisou o responsável.

De acordo com Carlos Oliveira, verifica-se actualmente um aumento da incidência do cancro, que, sobretudo, “tem a ver com o envelhecimento da população, porque o cancro é muito mais frequente nas pessoas com idades mais avançadas”.

“A Medicina de Precisão não se limita ao tratamento de cancros, mas estão a ser desenvolvidos estudos no âmbito da prevenção secundária, do diagnóstico e do seguimento de sobreviventes de cancro” sublinha, também, Vítor Rodrigues.

Já neste século, a manipulação laboratorial do ADN tumoral permitiu a identificação de mutações genéticas diferentes, relacionadas com tumores distintos. Iniciou-se o desenvolvimento de medicamentos para diversos cancros dependentes dessas mutações. Assim, surge a Medicina de Precisão, que abarca ainda a imunoterapia.

Em destaque estão temas como: rastreio personalizado; prevenção do cancro hereditário; aconselhamento genético; perfil genómico; biópsia líquida; biomarcadores; inteligência artificial; imunoterapia personalizada; necessidade de apoio psicológico; impacto económico e financeiro da medicina personalizada; limites éticos da medicina personalizada.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com