Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Legislativas: Rui Rio gostaria de Mota Pinto por Coimbra, mas…

13 de Junho 2019

Fontes próximas de Rui Rio (PSD) confirmaram ao “Campeão” que a renovação de candidatos a deputados nas eleições de Outubro próximo atingirá cerca de metade dos actuais, com particular incidência nos cabeças de lista e dispensando uma particular atenção ao círculo eleitoral de Lisboa, onde estão concentrados muitos votos e onde as picardias contestatárias da liderança começam a dar sinal de si.

Também o Porto está na mira de Rio, que avocou a si a escolha de todos os cabeças de lista, sem prejuízo de ouvir os elementos que lhe são mais próximos e que constituem a sua ‘taske force’ em que deposita mais confiança (Salvador Malheiro, Morais Sarmento – muito escutado pelo partido – Maló de Abreu, Manuel Teixeira e outros).

O líder do PSD só admite abandonar o partido se o resultado das eleições for mesmo catastrófico, parecido com o verificado nas europeias. Mas ele acredita que pode andar pelos 27/28 por cento e nesse caso propõe-se continuar e levar o PSD pelo menos até às autárquicas, onde sonha conquistar o Porto, até pelo mau estar que se gerou entre si e o actual presidente Rui Moreira. Reconquistar o Porto para o seu partido é uma das suas ambições.

Mas se será em Lisboa que vai concentrar o maior esforço para conseguir uma lista mobilizante que devolva a esperança aos eleitores da área social democrata, e logo a seguir no Porto, toda a faixa com maior densidade populacional está a merecer-lhe especial atenção.

Coimbra está longe de ser um caso já resolvido. Se Margarida Mano foi, na legislatura a terminar, um dos melhores deputados de toda a estrutura parlamentar, as complicações surgidas com o assunto dos professores causou alguma mossa nela própria e até no seu entusiasmo. Não estando em causa a sua continuidade (a não ser que sela ela mesma a não querer), a liderança da lista por Coimbra está ainda dependente da posição a tomar por Paulo Mota Pinto, que reuniria a preferência das estruturas locais e do próprio Rui Rio.

Levantam-se todavia dois tipos de dificuldade para esta hipótese: dadas as complicações que se prevêem em Lisboa, onde o partido anda às avessas, com tendência para agravar, Rui Rio pode precisar de Mota Pinto para apresentar um cabeça de lista ido de fora, que não agrave as rupturas anunciadas. Sendo uma hipótese ainda muito embrionária, já foi todavia falada no núcleo duro que ampara o líder.

A segunda dificuldade não é de menor dificuldade e verifica-se tanto em Lisboa como em Coimbra para que Mota Pinto possa considerar ir para a Assembleia: as recentes alterações aprovadas sobre o estatuto de deputado afectam sobretudo os que trabalham na área do Direito, já que criaram uma série de incompatibilidades e afastaram muitos possíveis candidatos que assim recusam integrar as listas.

Ir para a Assembleia em regime de exclusividade não é motivador para quem tem compromissos cá fora, compromissos bem remunerados, e que caem nesse regime de incompatibilidades. Paulo Mota Pinto é um dos homens do PSD que pode ficar de fora por esta razão, à semelhança aliás de Morais Sarmento que avisou logo o partido, dizendo alto e bom som que “comigo não contem”.

Se não for Margarida Mano ou Mota Pinto por Coimbra, em que ficamos? Poiares Maduro, antigo ministro, é desta zona e não está politicamente gasto. Mas tem uma boa posição lá fora e numa altura como esta em que se joga mais para perder por pouco que para ganhar, não será fácil trazê-lo de volta, pese embora tenha cá um pequeno grupo que não esconde o quanto defende esta solução.

Até final de Junho se verá, caso Rui Rio cumpra o calendário a que se propôs, resolvendo grande parte das listas até ao fim do mês, particularmente as respectivas lideranças. Mas as dificuldades à vista deixam em aberto a possibilidade de antes de meados de Julho nem tudo estar definitivamente decidido.

 

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