Coimbra  13 de Junho de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Largo da Sé Velha de Coimbra cheio na Serenata que contornou a vontade da PSP

24 de Maio 2024 Jornal Campeão: Largo da Sé Velha de Coimbra cheio na Serenata que contornou a vontade da PSP

O Largo da Sé Velha de Coimbra esteve esta noita completamente cheio de estudantes para ver a serenata monumental, que contornou a vontade da PSP, que queria que o evento se realizasse na Sé Nova.

“Há sempre alguém que resiste. Há sempre alguém que diz não”, cantou-se por toda a Sé Velha, no final de uma serenata que esteve em risco de não acontecer, e que trocou a habitual “Balada de Despedida” pela “Trova do Vento Que Passa”, canção de Adriano Correia de Oliveira, criada durante o Estado Novo.

A Serenata Monumental, que marca o arranque da Queima das Fitas e que é um dos momentos mais simbólicos da festa dos estudantes, esteve em risco de não acontecer, depois de a comissão organizadora ter anunciado na segunda-feira que o evento teria de se realizar na Sé Nova, por impossibilidade de assegurar as condições exigidas pela PSP para a Sé Velha.

Posteriormente, a Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, estrutura que define os grupos que tocam na Serenata, recusou-se a actuar na Sé Nova, o que levou a organização da Queima das Fitas a anunciar o cancelamento do evento, na quarta-feira.

No entanto, a mesma Secção avançou com um pedido de manifestação por parte de estudantes para o Largo da Sé Velha, por forma a contornar o parecer negativo da Polícia, não tendo recebido qualquer notificação por parte da PSP até à hora da Serenata, que ocorreu entre as 00h00 e as 00h35.

Por volta das 22h00 de quinta-feira já eram muitos os estudantes e populares que aguardavam na Sé Velha pelo começo da Serenata, sem se avistar qualquer presença policial.

A PSP tinha dito à agência Lusa que iria adequar o seu dispositivo e adoptar “as medidas preventivas e de reacção possíveis nestas circunstâncias, tendo presente a necessidade de tentar conciliar todos os direitos em conflito”.

Numa das ruas de acesso à Sé Velha, o trânsito estava cortado de forma improvisada com um sinal de trânsito arrancado e colocado na diagonal, para impedir a passagem de carros, não se avistando qualquer controlo de tráfego automóvel por parte da PSP, às 22h00.

Ainda antes da meia-noite, já o Largo e ruas adjacentes estavam completamente cheios de estudantes de capa e batina, não se via qualquer presença de dispositivo policial para um evento que a PSP considerava que teria riscos evidentes.

Perto da hora de arranque da Serenata, palavras projectadas na parede de um edifício pediam silêncio – ao contrário de outros anos, desta vez, não haveria sistema de amplificação.

Chegada a meia-noite, a Canção de Coimbra foi ouvida pelo Largo da Sé Velha, durante pouco mais de meia hora (o pedido de manifestação era até às 00h30), com a grande maioria a acatar o pedido de silêncio.

Para última música, ao contrário da habitual “Balada de Despedida” – que foi depois pedida por muitos estudantes -, os grupos da Secção de Fado cantaram a “Trova do Vento que Passa”, mas não sozinhos.

Numa parede, foram sendo projectados os versos de Manuel Alegre, com as vozes dos estudantes a juntarem-se às dos músicos para a Serenata, que terminou com o habitual “Efe-Erre-Á”.

Já com os estudantes a desmobilizar, ainda se gritou “Serenata só há uma, na Sé Velha e mais nenhuma”.

No final da tarde de quinta-feira, a PSP afirmou que tinha comunicado à Câmara de Coimbra “o parecer de que a manifestação se deveria realizar noutro local, por forma a garantir a segurança de todos os intervenientes”.

No entanto, o presidente da Secção de Fado, Diogo Ferreira, disse à Lusa que não tinha recebido qualquer notificação por parte da PSP e iriam avançar “com a manifestação”.

Fonte oficial da Câmara de Coimbra explicou que o Município recebeu o parecer da PSP para notificar os três promotores da manifestação, mas “era expectável que estes não o recebecem, antes” da hora marcada para o protesto, isto porque os contactos deixados pelos promotores foram as suas moradas, “todas elas fora de Coimbra”.