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La Vuelta mostra 11 concelhos do Centro a 500 milhões de pessoas

10 de Março 2024 Jornal Campeão: La Vuelta mostra 11 concelhos do Centro a 500 milhões de pessoas

La Vuelta – Volta a Espanha em Bicicleta, um dos maiores eventos de ciclismo do mundo (a par do Tour de França e do Giro d’Itália), vai ter a sua partida em Lisboa no dia 17 de Agosto e termina em Madrid, Espanha, a 8 de Setembro. A prova regressa a Portugal 27 anos depois, e para além da capital portuguesa, vai passar ainda por Oeiras, Cascais, Ourém, Lousã e Castelo Branco.

No total, haverá um investimento de 2 milhões de euros, repartidos entre municípios e entidades turísticas. Metade do orçamento será assegurado pelas Câmaras Municipais de Lisboa, Oeiras e Cascais, enquanto o restante será dividido entre a entidade Turismo de Portugal e os restantes municípios por onde passará o pelotão, como já fez saber o promotor, a Unipublic.

O evento vai trazer os melhores ciclistas do mundo, que vão estar em Portugal durante três dias – 17, 18 e 19 de Agosto. Esta será a segunda vez que a competição passa por Portugal, sendo que a última foi em 1997, em que a La Vuelta saiu de Lisboa, como forma de promover, na altura, a Expo 98.

São muitos os números em torno da La Vuelta. É transmitida em 190 países e acompanhada por cerca de 1000 jornalistas de todo o mundo. Haverá pequenos eventos antes do arranque oficial, que acontece em Lisboa, junto ao Mosteiro dos Jerónimos. É também aqui que começa um contra-relógio, de 11 quilómetros, que vai até à Praia da Torre, no concelho de Oeiras. No dia 18 de Agosto, será a vez da etapa Cascais/Ourém. No dia 19, os ciclistas irão percorrer o caminho entre a Lousã e Castelo Branco, com passagem pela Serra da Estrela.

Os impactos no turismo, a promoção e a divulgação dos territórios são uma das mais-valias para Portugal. Mas em que medida? Foi isso que o “Campeão das Províncias” foi perceber.

Centro de Portugal: destino para eventos desportivos

Em declarações ao “Campeão das Províncias, Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo Centro de Portugal (TCP), considera que a La Vuelta é “um dos maiores acontecimentos do ano em Portugal” e “de enorme importância para a região”. Recorda que 11 concelhos do Centro de Portugal “vão ter o privilégio de acolher a Volta a Espanha, em duas etapas que chegam ou partem de Ourém, Lousã e Castelo Branco, mas os efeitos vão sentir-se em todos os 100 municípios do território”.

A responsável não tem dúvidas: “o Centro de Portugal entra definitivamente no exclusivo circuito internacional de ciclismo e consolida-se como um destino privilegiado para a realização de eventos desportivos”.

A Turismo Centro de Portugal identificou a promoção do Turismo Desportivo como um pilar da sua estratégia. “Esta é uma tendência crescente do turismo a nível internacional, que encontra neste território condições propícias para a sua prática. Por isso, receber uma prova como esta justifica o investimento, uma vez que o retorno é muito superior, tanto financeiro como na visibilidade internacional do território”, refere Anabela Freitas. Contudo, vinca que a TCP “não apoia financeiramente o evento, fornece um apoio exclusivamente institucional, na divulgação, por exemplo”. Os apoios financeiros provêm, entre outros, da Agência de Promoção Turística Regional Centro de Portugal, que tem como missão a promoção externa do território, além dos municípios e dos patrocinadores da prova.

A responsável realça que os eventos desportivos de grande dimensão têm um forte impacto nos territórios, antes, durante e depois “e captam fluxos turísticos, fazendo permanecer os visitantes vários dias no território, dinamizam a economia local de forma imediata, proporcionando às empresas receitas importantes. A oportunidade de mostrar o território a 500 milhões de pessoas é uma possibilidade rara de promoção turística de um destino e tem certamente um retorno muito maior do que muitas campanhas promocionais”, sublinha.

Sobre a visibilidade externa, nomeadamente no país vizinho, Anabela Freitas afirma que “Espanha é, desde sempre, o mercado turístico externo mais importante para o Centro de Portugal, pelo que a prova terá, certamente, um impacto transcendente na vinda de espanhóis ao nosso território, antes, durante e depois da Vuelta”.

“Valor incalculável” para a Lousã

Luís Antunes, presidente da Câmara da Lousã, afirma, em declarações ao “Campeão” que a Vuelta, “esta grande festa do ciclismo mundial será mais um factor de atratividade para a Lousã e para toda a região, que vai abrir portas a novos públicos e reforçar ainda mais a actratividade deste território fantástico”.

O edil realça que a autarquia da Lousã “está constantemente empenhada em aproveitar todas as oportunidades de receber eventos de dimensão mundial – desportivos ou de outras tipologias – e felizmente tivemos a capacidade para nos posicionar e captar mais este evento único para o nosso concelho”. Além de toda a diplomacia e contactos institucionais realizados pela autarquia, “o facto de a Lousã já ser reconhecida internacionalmente como organizadora de grandes eventos, somado às características naturais únicas que temos, deu todas as garantias à exigente organização da Vuelta de que realizar aqui a partida da 3ª etapa seria um enorme sucesso”.

No que toca ao investimento, Luís Antunes diz que, comparado com o retorno que se espera e “com o investimento em outros eventos que já acolhemos, a quantia não é elevada, ainda que neste momento não seja possível avançar com o montante final, uma vez que ainda estamos a avaliar várias iniciativas paralelas de divulgação e organização, para garantir que tudo corre bem e que o espectáculo seja fantástico”.

Já o retorno económico directo passa muito por aquilo que é o mercado turístico, especialmente de alojamento, restauração e comércio local que, como diz, “certamente sentirão um acréscimo muito grande de procura durante os dias que antecedem o dia 19 de Agosto e o próprio dia da partida. O impacto indirecto é, neste momento e pela dimensão que se espera, incalculável, mas de um valor muito, muito elevado. Há estudos feitos pela organização da prova sobre o retorno mediático que se espera, mas não é pertinente colocar um número. A capacidade de atractividade e de divulgação do território que uma prova destas têm trará, certamente, retorno não só a médio, mas também a longo prazo”.

Luís Antunes recorda que a Vuelta “representa uma oportunidade preciosa para divulgar os nossos produtos turísticos de elevada atractividade, como são as Aldeias do Xisto, o Complexo Turístico e Religioso da Srª. da Piedade, a nossa Rede de Percursos Pedestres, uma gastronomia de qualidade ímpar, os nossos Museus, como o Etnográfico e o Museu do Circo – únicos do País – mas também um território de eleição para prática do ciclismo, seja de montanha, downhill ou de estrada, na nossa Montanha Mágica, a Serra da Lousã. Por tudo isto e muito mais, consideramos que o valor será mesmo incalculável”.

Prova apresentada na BTL

O lançamento de La Vuelta marcou o terceiro dia de programação do stand da Turismo Centro de Portugal na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa. No evento, que decorreu a 1 de Março, participaram várias personalidades, entre elas, Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo Centro de Portugal, que destacou o “privilégio” que constitui para a região receber a prova. “Receber este grande evento consolida o Centro de Portugal como destino de turismo desportivo e aumenta a notoriedade da nossa marca”, salientou. Pedro Machado, presidente da Agência de Promoção Turística Regional do Centro de Portugal, lembrou que “o Centro de Portugal é o melhor destino do mundo para os eventos desportivos. É um acontecimento que, sobre rodas, vai unir e promover os territórios”, acrescentou.

Por parte da organização, Luís Castro, da Unipublic, recordou os principais números envolvidos: “é um dos maiores eventos este ano em Portugal e o segundo maior de ciclismo do mundo. Vai ser transmitido para 190 países, com 500 milhões de pessoas a poder ver o território do Centro de Portugal”.

Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, sublinhou que “ciclismo é território, é emoção, é espectáculo. É a conjugação do território com o espectáculo que faz a grandeza do ciclismo. Esta prova é uma oportunidade para o interior de Portugal mostrar ao mundo que tem excelentes estradas para o turismo em bicicleta”.

Texto: Ana Clara (Jornalista do “Campeão” em Lisboa)

Publicado na edição em papel do Campeão das Províncias em 7 de Março de 2024