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Jovens cientistas exploram a biodiversidade na Universidade de Coimbra

19 de Setembro 2023 Jornal Campeão: Jovens cientistas exploram a biodiversidade na Universidade de Coimbra

 

O Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra foi palco, entre os dias 13 e 15 de Setembro, do curso “Aplicação da Diversidade Beta em Ecologia de Comunidades”. Este evento, organizado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente em conjunto com o Departamento de Ciências da Vida, contou com a orientação do professor Raphael Ligeiro, da Universidade Federal do Pará, Brasil. Reuniu uma dezena de jovens cientistas cujas áreas de estudo abrangem comunidades biológicas tão diversas como algas microscópicas de água doce, algas marinhas, invertebrados do solo, abelhas, cogumelos e plantas.

De acordo com Raphael Ligeiro, “a missão primordial da ecologia é identificar os padrões de distribuição da diversidade de espécies, bem como os processos ecológicos que os influenciam”. “Somente assim podemos planear de forma eficiente a conservação da biodiversidade e, consequentemente, a preservação de todos os benefícios e serviços que esta proporciona ao ser humano e ao planeta”, acrescenta o especialista em diversidade de invertebrados e peixes em rios e estuários do Brasil.

José Camongua Luís, estudante de doutoramento na Universidade do Porto e um dos participantes no curso, concorda que “é cada vez mais crucial e relevante o conhecimento sobre a biodiversidade, os padrões de distribuição e as principais ameaças associadas. Isto permite um planeamento mais assertivo, visando definir planos de gestão e conservação mais eficazes, numa altura em que as alterações climáticas se destacam como a principal ameaça”.

Raquel Juan Ovejero, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e outra participante no curso, sublinha que “a biodiversidade do solo está directamente relacionada com serviços ecossistémicos de extrema importância para a nossa sobrevivência enquanto espécie, como a regulação do ciclo da água, o controle da erosão e a manutenção da fertilidade dos solos. Contudo, os organismos do solo são muitas vezes negligenciados em estudos de diversidade quando comparados com outros organismos mais visíveis”.

Quando questionada sobre as motivações para participar no curso, Cristina Espírito Santo, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente na Universidade de Évora, refere que “como investigadora e ilustradora, procuro constantemente formas de dar a conhecer as maravilhas que a natureza nos oferece, a sua importância e como a podemos preservar”. Acrescenta ainda que “este curso sobre diversidade e como aplicar análises de diversidade a comunidades naturais vem complementar a minha formação, não só numa perspectiva estatística pura, mas numa análise global das comunidades marinhas que tenho investigado”.

Por sua vez, Helena Valentim, estudante de doutoramento na Universidade de Aveiro, salienta que “a motivação surgiu durante o meu doutoramento, uma vez que estou a comparar comunidades de microalgas entre diferentes rios. Alargar o meu conhecimento em relação à diversidade faz todo o sentido e é de extrema importância”.

Para atender às preocupações e expectativas dos participantes, Raphael Ligeiro esclarece que “este curso abordou novas perspectivas para observar e analisar a diversidade das comunidades biológicas. O objectivo é capacitar a nova geração de cientistas a considerar variações na diversidade de espécies entre locais e ao longo do tempo, que podem ser resultado de impactos humanos como poluição, mudança no uso do solo, invasão por espécies exóticas ou alterações climáticas”. Como exemplo prático, o especialista menciona que “quando a variação na diversidade de espécies entre riachos numa região é significativa, ou seja, quando cada riacho possui espécies únicas, é necessário proteger um maior número de riachos para garantir a preservação da biodiversidade a nível regional, em comparação com quando as mesmas espécies se repetem entre riachos”.

No entanto, o especialista adverte que “a diversidade de espécies é apenas um dos aspectos a considerar na definição de áreas a proteger ou na priorização de áreas a restaurar”. Raphael Ligeiro permanecerá na Universidade de Coimbra até o final de Novembro para colaborar em estudos que visam avaliar os efeitos da invasão de florestas caducifólias por mimosas na diversidade de espécies nos ribeiros da Serra da Lousã.