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Jovem de Arganil quer levar a sua arte por Portugal e além-fronteiras

16 de Setembro 2023 Jornal Campeão: Jovem de Arganil quer levar a sua arte por Portugal e além-fronteiras

Raquel Lages é uma jovem de 18 anos, natural de Folques, no concelho de Arganil, e tem uma paixão esplêndida pela pintura e por tudo o que a envolve. Nunca teve formação na área, mas reconhece que desde os tempos de escola já dava sinais que esta era a sua vocação. Decidiu em 2020 investir nesta área e até ao momento já realizou três exposições. Deseja percorrer Portugal com as suas obras, mas reconhece que expor a nível internacional também faz parte do seu sonho.

O interesse pela pintura começou desde muito cedo na vida de Raquel Lages e é preciso recuar até à sua infância para compreender o seu percurso. Com défice de atenção, tanto nas aulas como nas suas actividades fora, a jovem, já nessa altura, utilizava o lápis e o papel para ir desenhando e pintando de forma a se conseguir concentrar. Ao longo da sua escolaridade foi pintando e guardando alguns dos seus desenhos até que várias pessoas lhe falaram com agrado das suas obras e a incentivaram a mostrar ao público o que fazia.

Em 2020 decidiu arregaçar as mangas e levar as suas pinturas aos quatro ventos e começou a procurar informações sobre exposições. “Já tinha visto muita gente a fazer, por isso pensei que devia ser possível e comecei a pesquisar e a procurar”, referiu Raquel Lages. Em 2021 realiza a sua primeira exposição na Biblioteca Municipal de Arganil, com trabalhos feitos a tinta acrílica que resultaram numa temática ligada a “África”. A sua exposição foi um sucesso, acabando por vender todas as suas obras em apenas duas semanas. No ano seguinte volta ao mesmo local para nova exposição, a “MixArt” com 19 trabalhos onde o tema África volta a estar bem presente, destacando-se a pintura a acrílico e o desenho a carvão.

Apaixonada por África

Embora nunca tenha estado no continente africano, a jovem arganilense confessa-se uma “apaixonada” pela cultura deste povo e revela que só se apercebeu que pintava África mais tarde. “Eu gosto de cores quentes, vivas e alegres, fui jogando isso na tela e comecei a desenhar a mulher negra que acho de uma beleza única e então juntava tudo, a beleza da mulher e a beleza das paisagens, e percebi que pintava África depois de me dizerem que aquilo era um retrato daquele continente”, contou a jovem.

Com o sonho de um dia ir até África presenciar ao vivo tudo o que imagina, Raquel Lages coloca nas suas pinturas “um misto de sentimentos” e considera-se uma artista livre. “Não sei explicar de onde vem este sentimento, mas parece que tenho uma sensação sobrenatural. Eu pinto o que me vem à imaginação e coloco o meu lado pessoal também, junto a arte com a minha vida e as várias experiências que vou tendo”.

A jovem realça que “as pessoas poderão ver diversas peças com alegria, tristeza, dança, espanto, ritmo, alegria, poderão ver um bocadinho de cada sentimento. Eu Quero mostrar às pessoas um pouco daquilo que eu sou e um bocadinho do que eu penso”.

Exposição em Coimbra

Recentemente, a artista alargou a sua área de actuação e fez uma exposição na galeria A Camponeza, em Coimbra. “Este ano decidi que queria uma exposição fora de Arganil e então comecei a ligar e a procurar. Liguei para Aveiro, Tábua, Coimbra e vários locais mas muitos não me aceitavam porque eu ainda não tinha o número suficiente de exposições, pelo que acabei por escolher A Camponeza que me abriu portas e achei que seria o local mais indicado”.

Raquel Lages afirma que é uma mulher de ir à luta e que ela faz a sua própria sorte. “Muitas pessoas podem dizer que é sorte, mas não é, sempre foi muito trabalho, muita busca por oportunidades e quando elas aparecem eu não deixo escapar nada, meto-me em tudo. Nem sempre eu vendo, mas sei que mais tarde alguém se vai lembrar de ter visto uma exposição minha e vai comentar com outra pessoa. Sei que um dia vou ter esse retorno”, afirma. “Tenho pessoas que vêm de propósito ver a minha exposição e recebo feedbacks muito positivos e isso é o melhor”.

Terapia e arte

Para além da pintura, Raquel Lages dedica grande parte do seu tempo a outras actividades.  Para ganhar algum sustento trabalha num restaurante e fora disso é voluntária numa instituição em Arganil e faz parte de várias associações regionais.

Actualmente, está no último ano do curso de Técnico Social de Saúde e espera poder, futuramente, juntar a sua arte com esta área. “Fui estagiar para um lar e lá descobri que podia juntar a arte com a terapia”, conta, destacando que quando terminar o curso pretende ir tirar um de terapêutica para conseguir conciliar os dois.

A jovem já participou num concurso intermunicipal da Lousã referente a esta área e apresentou o projecto “Art Vida e Emotions”, onde conseguiu passar na primeira fase e conquistar um certificado de excelência.

No próximo ano, Raquel Lages pretende ainda lançar-se numa nova vertente. A jovem quer criar uma linha de roupa sustentável e juntar também a pintura.

Futuro internacional

Ambiciosa por natureza, quer dar a conhecer as suas obras e levá-las a além-fronteira. Após a última mostra, a jovem pretende, no próximo ano, fazer uma exposição no Porto, seguindo depois para outras cidades em Portugal.

Como qualquer artista, todos gostam de ver o seu trabalho brilhar por terras internacionais e Raquel Lages pretende mostrar o que faz também fora de Portugal. Em 2022 realizou uma viagem ao Reino Unido onde aproveitou para explorar algumas galerias de arte. “Aproveitei a viagem e procurei vários espaços que pudessem expor as minhas obras e houve uma que mostrou interesse no meu trabalho”, revelou. Com algumas oportunidades já no mercado internacional, a jovem quer chegar o quanto antes a terras de sua majestade, mas reconhece que primeiro tem de se fixar em Portugal. “Deixaram-me a porta aberta para ir quando eu quisesse e irei, mas primeiro quero-me marcar no meu país e depois, então, sair para fora”.

Para além das obras que pinta de forma “livre e espontânea”, Raquel Lages faz trabalhos por encomenda, como a pintura de rostos ou pintura de fraldas e babetes para crianças. Participa também em feiras e esteve recentemente na FICABEIRA, em representação da sua freguesia.

Questionada sobre como define a sua arte, a jovem não tem dúvidas: “Interna, alegria e sentimento”. “Alegria porque é o que sinto ao fazer as minhas obras, sentimento porque não sei explicar porque o faço e interno porque vai ser sempre eu a fazer aquilo, vai ser sempre o meu pessoal e as pessoas nunca vão ver algo de outra pessoa”, justifica.

TEXTO: Cristiana Dias

Reportagem publicada na edição em papel do “Campeão” de quinta-feira, 14 de Setembro de 2023