Coimbra  19 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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José Reis preconiza a “reinvenção da acção pública”

28 de Fevereiro 2019

O economista José Reis preconizou, ontem (27), em Coimbra, a “reinvenção da acção pública” ao alertar para a «encruzilhada» em que ela se encontra.

O anterior director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra fez aquelas considerações ao intervir no lançamento do segundo número da revista Manifesto.

Autor de um artigo intitulado “O Estado cercado e a reinvenção da acção pública”, o economista alude a “vários planos em que tal cerco ocorreu” e gerou efeitos.

“Muita da despesa pública é, hoje em dia, determinada pela forma que o capitalismo, e não cada sociedade nacional, foi assumindo e serve para colmatar ou viabilizar a natureza dos mercados”, afirma o professor universitário.

Prudente em relação à globalização, o economista remete para uma “situação de forte condicionamento da acção pública por arquitecturas institucionais pró-mercado e postas ao serviço das ortodoxias financeiras”.

Antigo governante, ex-autarca e outrora presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), José Reis diz ter sido “radicalmente afastada das políticas a noção de que um país é um sistema territorial e um sistema urbano e de que os activos territoriais devem ser valorizados localmente”.

O professor universitário alerta para “um país deslaçado territorialmente e em profundo processo de concentração espacial de recursos num único ponto, Lisboa, onde se concentram as oportunidades e onde, simultaneamente, as dinâmicas principais são as da economia «low cost», pouco criadoras de valor, dependentes de trabalho barato e geradoras incessantes de precariedade nas relações laborais”.

Para o economista, “o último exemplo de investimento público com efeitos de fixação no território terá sido a criação da rede de ensino superior, com o seu subsistema politécnico”.

Parafraseando Roland Barthes, José Reis diz ser “longa a distância que separa lugares para «visitar» de lugares para «habitar»”.

“Em Portugal, é facilmente demonstrável que uma parte significativa da dívida pública resultou de acções privadas”, adverte.

Neste contexto, assinala bastar dizer que, quando a dívida pública se situava num patamar razoável e comum aos de outras economias, a banca se endividara fortemente no estrangeiro numa proporção que chegou a ser equivalente a 40 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Hoje em dia, os residentes em Portugal têm colocados, no exterior, sob a forma de activos financeiros, 340 mil milhões de euros (176 por cento do PIB), sendo que, em 1996, o correspondente montante cifrava-se em 69 mil milhões de euros (a preços correntes, 73 por cento do PIB).

A revista fundada por Miguel Portas, cujo segundo número da segunda série acaba de ser lançado em Coimbra, pertence à Associação Fórum Manifesto – Centro de Estudos Sociais e Políticos.

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