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Jorge Paiva (UC) afirma que destruição de florestas ameaça Humanidade

29 de Agosto 2019

As recentes notícias dos incêndios na Amazónia, um local que o professor jubilado da Universidade de Coimbra, Jorge Paiva, já visitou várias vezes, e a contínua destruição das florestas tropicais são “uma ameaça à sobrevivência da Humanidade”.

Segundo o especialista, de 85 anos, as consequências serão tão graves a ponto de as “pessoas a quererem respirar e a não terem oxigénio”, revelou à agência Lusa.

A destruição das florestas tropicais tem-se vindo a acentuar ao ao longo dos séculos e, em particular, nas últimas décadas, designadamente na América do Sul, África e Ásia, o que leva à aceleração do aquecimento global, a ameaçar a biodiversidade e a vida na Terra, incluindo da própria Humanidade.

Na opinião de Jorge Paiva, estes incêndios na Amazónia “vieram complicar a necessidade da sua preservação”. “Estamos a destruir as maiores fábricas de oxigénio do globo. E, além disso, estamos a destruir os seres vivos que mais absorvem dióxido de carbono da atmosfera”, afirmou.

É nessas áreas do planeta que “estão os maiores monstros vegetais” e a espécie humana “não vai conseguir viver sem florestas”.

“É que agora não vai ser uma bactéria”, ou um vírus, como no caso da pneumónica, que matou dezenas de milhares de pessoas na Europa, em 1918 e 1919: “vai ser a falta de oxigénio” a causar possivelmente idênticas tragédias, advertiu.

Citando o paleoantropólogo norte-americano Lee Berger, que descobriu uma nova espécie de australopiteco e de humano, na África do Sul, Jorge Paiva disse que o homem “é provavelmente o animal mais perigoso que já viveu neste planeta”.

Na Amazónia e noutras florestas tropicais, “como há muita luz e muita água, as árvores são enormes”, chegando a ter “120 metros e quase 5 000 toneladas”. “Ora, uma árvore destas produz mais oxigénio do que todas as árvores do Gerês num ano”, exemplificou.

Em geral, uma árvore, mesmo que seja um carvalho secular da Europa, “produz mais biomassa, produz oxigénio e retira mais dióxido de carbono da atmosfera do que um prado inteiro”. “Não vamos conseguir sobreviver sem florestas”, insistiu o biólogo.

Há mais de 20 anos, sempre em Dezembro, Jorge Paiva concebe uma mensagem de Natal e Ano Novo ambientalista, em português e inglês, um postal ilustrado que envia a cientistas, jornalistas, amigos, universidades e outras instituições públicas e privadas de Portugal e outros países em todos os continentes.

Em 2016, defendeu a necessidade de travar a destruição das florestas para impedir o fim da espécie humana no planeta.

“Se continuarmos a derrubar as florestas como temos vindo a fazer, a Terra será uma ‘ilha’ universal, desflorestada, sobreaquecida, poluída, repleta de lixo e sem população humana”, alertava.

Frisando que, por todo o mundo, as florestas são dizimadas “a um ritmo verdadeiramente alarmante e drástico”, Jorge Paiva realçava ainda que, sobretudo nas zonas equatoriais, elas “são ecossistemas de elevadíssima biodiversidade”.

Por exemplo, também na Islândia, no Atlântico Norte, “a floresta foi sendo derrubada, para construção de habitações e embarcações, produção de mobiliário e utensílios, bem como para lenha, acabando por desaparecer quase completamente”, recordava.

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