Coimbra  23 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Jogo da Briosa acolhe recriação alusiva à “Crise académica”

12 de Abril 2019

Uma recriação, a 20 de Abril, em Coimbra, da final futebolística de 1969 da Taça de Portugal é um dos eventos das comemorações do 50º. aniversário da “Crise académica”.

A iniciativa terá como palco o Estádio Cidade de Coimbra, por ocasião do jogo Académica / Futebol SDUQ – Mafra.

A final disputada em 1969 ficou associada à “Crise académica” daquele ano e a participação da AAC (Associação Académica) consistiu numa advertência ao regime político então vigente.

Em alusão aos episódios que contribuíram para a queda do regime de Américo Tomaz e Marcelo Caetano, ocorrida a 25 de Abril de 1974, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, inscreveu-os, hoje, em conferência de Imprensa, num “património imaterial de valor incalculável”.

“Portugal deve agradecer, e muito, a uma geração fantástica”, que lhe restituiu a liberdade, assinalou o reitor da UC.

Para Manuel Machado, líder do Município conimbricense, trata-se de uma efeméride digna de “importante celebração”, evocativa de uma “revolta assumida em resposta à opressão e à tirania”.

Também Daniel Azenha, presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra, louvou “o exemplo” dado, há 50 anos, por alunos da UC.

As comemorações começam, no convento de S. Francisco, terça-feira (16) à noite (véspera do cinquentenário), com um concerto a cargo da banda UHF.

Pelas 11h00 de quarta-feira (17), realizar-se-á uma cerimónia evocativa do início da “Crise académica”, sendo recordado o gesto do outrora presidente da AAC Alberto Martins ao pedir ao então Chefe do Estado, Américo Tomaz, para lhe conceder o uso da palavra.

A atribuição do estatuto de sócios honorários da AAC aos membros dos corpos gerentes da instituição em 1969, recentemente aprovada pela Assembleia Magna, ocorrerá, pelas 21h30 de 23 de Abril, no Teatro Académico de Gil Vicente.

A antiga DG da Associação Académica era constituída por Alberto Martins, Celso Cruzeiro, José Salvador, José Gil, Matos Pereira, Fernanda Bernarda e Osvaldo Castro, cabendo a presidência da Mesa da AG a Décio Sousa e a do Conselho Fiscal a Carlos Baptista.

O lançamento de material discográfico e de um livro, alusivos a José Afonso, na tarde de 17 de Abril, e, a 28, uma recriação histórica da repressão infligida em 1969, com encenação da Viv’Arte,  são outros dos pontos altos das comemorações da “Crise académica”.