Coimbra  23 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Joaquim Chissano presente na inauguração da Academia Sino-Lusófona

6 de Junho 2019

O antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano, está de visita a Coimbra e será o convidado de honra da sessão de inauguração da Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC).

O momento marcará o “reforço dos laços da UC com a República Popular da China e os Países de Língua Portuguesa”, nota a Universidade, referindo que a sessão se insere “num ano fausto para as relações sino-lusófonas, quando se celebra o 40.º do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China”.

Para Rui de Figueiredo Marcos, director da Academia Sino-Lusófona, é de destacar, também, a presença de Joaquim Chissano “um homem a todos os títulos notável e com uma ligação fortíssima à UC [é ‘Honoris Causa’ da instituição desde 1999]”.

O programa do evento inclui uma conferência inaugural, na próxima terça-feira (11), a partir das 15h30, no auditório do Colégio da Trindade, contando com as intervenções de Chissano, de Rui de Figueiredo Marcos, e do reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão. Haverá lugar a um momento musical protagonizado pelo Coro dos Antigos Orfeonistas da UC e a um ‘Porto de Honra’.

Será, também, descerrada uma placa de inauguração da ASL-UC, que contará com a presença do embaixador da China em Portugal, Cai Run.

O programa segue no dia seguinte (12, quarta-feira), pelas 11h30, com a inauguração da exposição “Uma Faixa, Uma Rota”, no claustro do Colégio da Trindade, promovida pela Embaixada da China em Portugal. A cerimónia contará com as intervenções da directora do Instituto Confúcio da UC, Cristina Zhou, do embaixador da República Popular da China e do reitor da UC.

A Academia Sino-Lusófona foi instituída em Outubro de 2018, tendo como missão “desenvolver o conhecimento relevante para as relações entre a China, Portugal e os Países de Língua Portuguesa – especialmente na área jurídica, mas numa perspectiva interdisciplinar – e transferir esse conhecimento para as várias entidades interessadas no desenvolvimento e consolidação dessas relações”.

A Academia “tem potencialidades ilimitadas”, sendo que “através dela, a Universidade de Coimbra e a sua Faculdade de Direito farão uma ponte privilegiada entre a China e o mundo lusófono, com a formação dos seus quadros, sobretudo jurídicos”, enfatiza Rui de Figueiredo Marcos, destacando a “actividade inexcedível” do vice-reitor e subdirector da ASL-UC João Nuno Calvão da Silva na promoção do organismo recém-criado, que já fixou protocolos com “as mais importantes instituições chinesas, como a Academia de Ciências Sociais da China (CASS)”.

A inauguração oficial da ASL-UC segue-se a outros marcos do reavivar da ligação secular entre a Universidade de Coimbra e a República Popular da China, visível no reforço das parcerias e eventos entre a UC e instituições académicas chinesas, na crescente presença de estudantes chineses em Coimbra, no aumento da mobilidade de estudantes da Universidade de Coimbra para instituições chinesas, no desenvolvimento de canais de divulgação da UC em língua chinesa e na criação do Instituto Confúcio (2016), do Centro de Estudos Chineses CASS da UC (2018) e do Centro de Estudos sobre a China e os Países de Língua Portuguesa BFSU-UC (2019, em parceria com a Beijing Foreign Studies University).

Visita de Chissano inclui locais e entidades emblemáticos da cidade

A anteceder a sua intervenção na inauguração da Academia Sino-Lusófona da UC, o ex-presidente da República de Moçambique (entre 1986 e 2005) visitará, na segunda-feira (10), a partir das 10h00, o Estádio Cidade de Coimbra, onde será recebido pelo presidente da Associação Académica de Coimbra – OAF, Pedro Roxo.

Joaquim Chissano irá, depois, ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), onde será recebido pelo presidente do Conselho de Administração, Fernando Regateiro.

Na terça-feira (11), almoçará no Centro Cultural de D. Dinis, seguindo para a sessão de inauguração da Academia Sino-Lusófona, após a qual será descerrada a placa inaugurativa.

Pelas 19h00, está previsto um encontro com o executivo conimbricense nos Paços do Concelho.

A visita do antigo governante moçambicano à cidade de Coimbra termina na quarta-feira (12), com uma visita à Associação Académica de Coimbra, pelas 10h30, e com a inauguração da exposição no Colégio da Trindade.

Joaquim Chissano assumiu a Presidência de Moçambique em 1986, após a morte de Samora Machel num acidente de aviação, tendo exercido o cargo quase 20 anos (até 2005). Em 1994 venceu as primeiras eleições democráticas (supervisionadas pela ONU) depois do fim da Guerra Civil, que negociara com a Renamo e lhe granjeara prestígio internacional, sobretudo no continente africano. Em 1999 seria reeleito após um acto eleitoral que a Renamo, partido da oposição, considerou fraudulento.

Nascido na zona de Gaza, Chissano foi o primeiro negro a matricular-se no Liceu de Salazar, na então Lourenço Marques, hoje Maputo. Concluído o ensino secundário, viria a matricular-se em Medicina em Lisboa nas um ano depois foi-se embora, reaparecendo dois anos depois integrado nas estruturas revolucionárias da Frelimo, partido que corporizava há anos a luta pela independência.

Foi primeiro-ministro de Moçambique no Governo de transição e depois da Independência ministro dos Negócios Estrangeiros.

Samora Machel, por ser um dos maiores impulsionadores da Frelimo e da luta pela Independência, e Joaquim Chissano depois, por ter vencido conseguido a paz com a Frelimo e vencido as primeiras eleições consideradas democráticas em Moçambique, terão sido os dois presidentes mais prestigiados de Moçambique.

É em nome desse passado e desse prestígio que a Universidade de Coimbra atribui especial importância a esta visita, que tem vindo a preparar com todo o cuidado.

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