Coimbra  16 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Jerónimo diz que CDU põe fim à “geringonça”

6 de Outubro 2019

O secretário-geral comunista afirmou, hoje, perante os resultados já conhecidos das eleições legislativas, que nada obsta a que o socialista António Costa seja indigitado novamente primeiro-ministro, mas PCP e “Verdes” votarão caso a caso, no Parlamento.

Jerónimo de Sousa assumiu assim que a denominada “geringonça” – as posições conjuntas entre PS, BE, PCP e PEV de 2015 – chegou ao seu fim, pois “não haverá repetição da cena do papel”, referindo-se à assinatura dos acordos bilaterais há quatro anos.

O secretário-geral do PCP, que concorreu na Coligação Democrática Unitária (CDU), juntamente com “Os Verdes”, discursou e respondeu a perguntas dos jornalistas, no centro de trabalho comunista Vitória, na avenida da Liberdade, em Lisboa.

“O que hoje se coloca como inadiável é a inscrição de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que um governo do PS não está em condições de assegurar. O que se impõe é andar para a frente, não permitir que o que se alcançou e conquistou em direitos e rendimentos volte para trás, que não se dêem novos passos de retrocesso quer na legislação laboral, quer no sistema eleitoral, quer nas chamadas “reformas” estruturais que PS e PSD partilham em diversas áreas”, afirmou.

Para Jerónimo de Sousa, “nada obsta, a que como aconteceu ao longo de décadas e de sucessivas legislaturas, o Presidente da República, ouvidos os partidos, indigite o primeiro-ministro, se forme governo e este entre em funções”.

“Será em função das opções do PS, dos instrumentos orçamentais que apresentar e do conteúdo do que legislar que a CDU determinará, como sempre, o seu posicionamento, vinculado aos compromissos que assumiu com os trabalhadores e o povo, decidido a dar combate a todas as medidas negativas, a todos os retrocessos que o PS queira impor”, disse.

O líder comunista justificou ainda “o resultado obtido pela CDU – traduzido numa redução da sua expressão eleitoral e do número de deputados eleitos” pelo “quadro político e ideológico que já havia estado presente nas eleições para o Parlamento Europeu e que se traduziu na expressão eleitoral então verificada”, pois “o resultado da CDU é inseparável de uma intensa e prolongada operação de que foi alvo, sustentada na mentira, na difamação e na promoção de preconceitos, que não se limitou apenas a apoucar e denegrir a CDU”.

O secretário-geral comunista elencou as diversas prioridades para a próxima legislatura: “a luta pelo aumento geral dos salários e do salário mínimo nacional para 850 euros, pelo aumento geral e real do valor das pensões de reforma, pela garantia de creche gratuita para todas as crianças até aos três anos, pelo direito à habitação com garantias dos arrendatários e construção de habitação pública, pelo reforço de verbas dirigidas ao reforço do transporte público, pelo reforço do investimento em falta no SNS e nos serviços públicos, por um por cento para a cultura, pela garantia da protecção da natureza, do meio ambiente e do equilíbrio ecológico”.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com