Coimbra  22 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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ISEC vai criar pranchas ecológicas que aceleram a aprendizagem do surf

9 de Julho 2019

Réplica da primeira prancha de surf registada em Portugal, no ano de 1942

 

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) anunciou, hoje, que está a desenvolver uma prancha para quem está a aprender a surfar.

Segundo o ISEC, a prancha “previne erros de postura corporal e de falta de equilíbrio dos praticantes” e é baseada em materiais ecológicos, substituindo as pranchas de derivados de petróleo usadas nas escolas de surf em Portugal.

“A biomecânica permite associar a destreza dos materiais da prancha com a forma como o atleta se deve posicionar para atingir um maior equilíbrio e melhor postura corporal, do seu corpo e acelerar a sua aprendizagem”, afirma Mário Velindro, presidente do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC).

“O nosso projecto consiste em desenvolver uma prancha que pode ser instrumentada, destinada a quem está a aprender a ‘surfar’: ela vai permitir corrigir a postura corporal através de um registo de desempenho. Com esta solução, o utilizador irá aprendendo a posicionar-se de forma mais eficiente, de modo a conseguir equilibrar-se melhor quando estiver em cima da prancha no mar”, explica.

O Laboratório de Biomecânica Aplicada do ISEC tem recebido um forte investimento tecnológico nos últimos anos, o qual se está agora a traduzir na produção de projectos em diferentes áreas. “Os materiais e a estrutura da prancha já estão a ser trabalhados, assim como o interface homem-máquina, no qual estamos a estudar o envolvimento entre o praticante e o produto”, afirma Mário Velindro. “Em 2021 a solução já deverá estar fechada e pronta a ser comercializada”.

Para além do seu desempenho biomecânico, a prancha terá a característica de ser sustentável, uma vez que vai ser construída recorrendo a materiais ecológicos pouco habituais entre os praticantes de surf. “As pranchas das escolas de surf são geralmente poluentes, uma vez que os materiais que as compõem são derivados do petróleo e estas não costumam durar muitos meses”, afirma Eurico Gonçalves, presidente da Associação de Desenvolvimento Mais Surf (ADMS), da Figueira da Foz, a entidade onde nasceu a ideia deste projecto.

“Por ano, em média, saem de circulação entre oito a 15 pranchas em cada escola de surf. Se multiplicarmos este número por 350 – que é o número de escolas de surf registadas em Portugal – temos entre três a 5 000 pranchas que, todos os anos, vão para o lixo e não podem ser recicladas”, afirma Eurico Gonçalves, que também é professor de surf.

A ADMS pretende que a prancha sustentável produzida pelo ISEC seja uma réplica da primeira prancha de surf registada em Portugal, no ano de 1942. “Foi a primeira prancha de surf moderna, não só em Portugal, mas provavelmente em toda a Europa Ocidental”. Este projecto foi construído, testado e fotografado na Figueira da Foz por Nuno Fernandes, um desportista, fruto do interesse manifestado por um grupo de estudantes de Coimbra. “Queremos que esta nova versão seja de madeira, tal como a de 1942, e que também seja leve e evoluída tecnologicamente para o seu tempo”, afirma Eurico Gonçalves.

A prancha de surf ecológica vai ter como matérias-primas a madeira e o agave, uma planta da família dos cactos. A conjugação destes materiais permitirá que as pranchas sejam leves e mais fáceis de manusear, garantido a sua rigidez e resistência mecânica. “A experiência dos surfistas da ADMS vai permitir-lhes testar os modelos produzidos e identificar a sua eficácia a nível técnico”, refere.

 

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