Coimbra  25 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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IPSS de Coimbra questionam ARSC sobre atribuição de cuidados continuados a um hotel

4 de Agosto 2021 Jornal Campeão: IPSS de Coimbra questionam ARSC sobre atribuição de cuidados continuados a um hotel

A União das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UIPSS) do distrito de Coimbra questiona a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) sobre a atribuição de camas continuados a uma sociedade comercial.

“Até à presente data sempre foi informado por essa ARS Centro que não seriam criadas novas vagas no âmbito de cuidados continuados até 2022 para IPSS”, refere a UIPSS, para sustentar que “não pode deixar de considerar estranho a criação de 50 vagas de cuidados continuados para uma sociedade comercial (privada e com fins lucrativos)”.

A União das IPSS do distrito de Coimbra juntam-se ao que a Fundação ADFP já tinha denunciado, nomeadamente, a transformação de um hotel, no concelho de Montemor-o-Velho, para 50 camas (30 de média duração e 20 de longa duração), uma empresa que tem sede em Lisboa e opera no sector do alojamento, hotelaria e restauração.

A UIPSS requerer à ARS do Centro que informe por escrito “se teve intervenção directa na atribuição de 50 vagas de cuidados continuados à sociedade comercial” e se “as 50 vagas vão ser instaladas em Meãs do Campo”.

“Quais os critérios legais utilizados para atribuir as 50 vagas de cuidados continuados à sociedade comercial, identificando o procedimento concursal respectivo; quais os custos mensais e anuais da atribuição de 50 vagas de cuidados continuados à sociedade comercial suportados por essa ARS Centro; qual o montante diário pago por essa ARC Centro por cada vaga de cuidados continuados à sociedade comercial”, são questões colocadas pela UIPSS.

As Instituições de Solidariedade Social querem que a ARSC “identifique os motivos pelos quais têm sido informado às IPSS dos concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz que não serão criadas novas vagas de cuidados continuados até o ano civil de 2022”, assim como “identificar o critério pelo qual foi atribuído um contrato para prestação de cuidados continuados a uma sociedade comercial em vez de a IPSSs, que não têm quaisquer fins lucrativos”.

Recentemente, a Fundação ADFP, de Miranda do Corvo, num ofício enviado à Ministra da Saúde, afirma que, enquanto o Hospital Compaixão, detido pela entidade, está a aguardar a contratualização de 30 camas de cuidados continuados com o Estado, a tutela decidiu avançar com a transformação de um hotel numa unidade, em Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, também no distrito de Coimbra.

Na altura, questionada pela agência Lusa, a Administração Regional de Saúde do Centro respondeu que “a localização de uma nova unidade em Meãs do Campo irá colmatar a carência verificada no eixo Coimbra – Montemor-o-Velho – Figueira da Foz, tendo em conta o critério da resposta de proximidade dos utentes”.

A ARSC adiantou, ainda, que a Fundação ADFP “tem em funcionamento 66 camas, distribuídas por 30 camas de média duração e reabilitação e 36 destinadas a longa duração e manutenção, tendo sido atribuídas recentemente mais 20 camas” para longa duração.

Neste momento, frisa, a ARSC, a oferta de cuidados continuados integrados em Miranda do Corvo e áreas limítrofes é “equilibrada, respondendo às necessidades das populações numa lógica assistencial em proximidade”.