Coimbra  20 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Investigadores no combate ao desaparecimento dos sapais estuarinos

15 de Julho 2019

Com vista a diminuir o impacto causado por eventos climáticos extremos e, também, por actividades humanas nas zonas de sapal dos estuários, está em curso o projecto de investigação “ReSEt – Restauro de sapais estuarinos com vista à sustentabilidade”.

Devido às alterações climáticas os sapais estuarinos correm grandes riscos de desaparecer, sendo por isso urgente a adopção de medidas de protecção e conservação destas zonas de elevada importância ecológica e socioeconómica.

No âmbito do projecto será instalado, ainda no mês de Julho, um conjunto de células experimentais no estuário do Mondego, perto de Vila Verde, onde os investigadores vão estudar novas técnicas que impeçam a destruição dos sapais.

Tiago Verdelhos, investigador do laboratório MAREFOZ do MARE e coordenador do projecto, explica que irão “testar e validar quatro técnicas de eco engenharia que possam ser utilizadas para promover a sedimentação e proteger e recuperar estas zonas de sapal, nomeadamente uma paliçada de madeira, uma tela de geotêxtil e sacos de geotêxtil com areia, bem como o transplante de plantas autóctones. Estas experiências vão ser implementadas ao longo de um ano e meio, para se poder avaliar a evolução da taxa de sedimentação e das comunidades biológicas, com o objectivo de compreender qual destas técnicas será mais vantajosa do ponto de vista ambiental e económico”.

Tendo em conta a importância das zonas estuarinas para a sustentabilidade das pescas, já que são fundamentais para os primeiros tempos de vida de muitas espécies de peixe, os investigadores vão, ainda, explorar a hipótese de proteger e conservar a fauna autóctone do estuário do Mondego com recurso à utilização de um tanque de aquacultura como “viveiro”.

O coordenador do projecto alerta que é urgente adoptar medidas de protecção e restauro dos sapais estuarinos porque “se nada for feito, com a subida do nível do mar prevê-se que estas zonas, que por natureza estão situadas entre marés, tendam a desaparecer, com consequências bastante negativas”, desta forma “assistir-se-á à diminuição da biodiversidade e os serviços que são fornecidos por estes ecossistemas serão bastante afectados”.

“ReSEt – Restauro de sapais estuarinos com vista à sustentabilidade” é financiado por fundos europeus através do Programa Operacional MAR 2020, e junta 15 investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente das Universidades de Coimbra (MARE – UC) e de Lisboa (MARE – UL), do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) e do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

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