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Investigadores do IPC em projecto sustentável para pavimento de estradas

30 de Outubro 2023 Jornal Campeão: Investigadores do IPC em projecto sustentável para pavimento de estradas

O projecto de investigação e inovação, gerido pelo Instituto de Investigação Aplicada (i2A), por parte do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), denomina-se “CoolAsphalt” e reúne, agora, condições para avançar para licenciamento industrial.

Baseado na reciclagem em grandes percentagens de material betuminoso (recuperado de pavimentos) e de óleo alimentar usado (de fritura), o projecto tem como objectivos o uso mais sustentável de recursos não renováveis, a redução de custos na conservação das infra-estruturas e ainda a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Estas soluções provocam um menor impacto ambiental, visto que se recorre à reutilização de materiais de pavimentos degradados, juntando-se um rejuvenescedor (óleo alimentar usado) para transformar a matéria-prima e lhe fornecer propriedades equivalentes às obtidas por matérias-primas convencionais.

Esta técnica origina um outro material de pavimentação para infra-estruturas de transporte (rodoviárias e ferroviárias) mais económico e mais eco eficiente, de forma a garantir maior durabilidade.

Segundo Silvino Capitão, responsável do IPC no projecto e professor no Instituto Superior de Engenharia, “na Europa, a maioria das estradas tem misturas betuminosas aplicadas, o que significa que há disponibilidade de pavimentos que se vão degradando com o passar do tempo. Isto reflecte a importância do projecto, não só a nível nacional, mas também a nível internacional”.

O “CoolAsphalt” possui um guia de boas práticas e é uma iniciativa conjunta da Construções JJR & Filhos, S.A. (empresa produtora de materiais e construtora) e de três entidades do sistema científico e tecnológico – IPC-ISEC (Instituto Superior de Engenharia do Politécnico de Coimbra), IST (Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa) e CTCV (Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro).

“A grande utilização das infra-estruturas de transportes degrada os pavimentos e isso obriga a acções de conservação e reabilitação dos mesmos de forma regular. Contudo, os materiais compósitos geram emissões de substâncias gasosas para a atmosfera e as práticas tradicionais de economia linear não têm permitido uma reutilização significativa dos resíduos betuminosos nem têm promovido a integração do valor da matéria-prima utilizada”, explica Silvino Capitão.

“Na realidade, a actividade económica depende muito do desempenho das infra-estruturas de transporte, pelo que é crucial executar políticas adequadas de conservação e de reabilitação das infra-estruturas, utilizando novas soluções, alinhadas com os princípios da economia circular e do uso eficiente de recursos, reduzindo os custos para a sociedade e os impactes ambientais”, remata.