Coimbra  23 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Investigadores da UC e CHUC em estudo sobre reconhecimento facial

4 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Investigadores da UC e CHUC em estudo sobre reconhecimento facial

Um estudo conduzido por investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), em colaboração com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e instituições americanas, permitiu aumentar o conhecimento sobre como o cérebro processa e reconhece as faces que vemos.

A investigação internacional foi realizada com um homem destro de 59 anos, identificado como A.D., que apresenta uma condição neurológica designada hemi-prosopometamorfopsia, uma lesão extremamente rara, sendo conhecidos, apenas, cerca de 25 casos em todo o mundo, que leva a que a percepção de fazes seja geradora de grande desconforto.

Esta condição, explicou Jorge Almeida, investigador principal do estudo e director do Proaction Lab da UC, “caracteriza-se geralmente pela percepção de uma distorção nos olhos, nariz e/ou boca apenas num dos lados da face – estas partes da face parecem estar a descair, quase como se estivessem a derreter. Nada mais além de imagens de faces causa estas distorções”.

Tal como acontece com outros pacientes com a mesma doença, as distorções vivenciadas por A.D. foram causadas por uma lesão nos feixes de matéria branca que ligam as áreas neuronais dedicadas às faces que estão no hemisfério esquerdo com as que estão no hemisfério direito.

Ao longo do estudo, as várias experiências que os investigadores realizaram com este paciente, permitiram concluir que, “para vermos e reconhecermos faces, o nosso cérebro usa um processo semelhante aos sistemas de reconhecimento digital de faces usados pelas plataformas Facebook e Google”, demonstrando pela primeira vez a existência de uma etapa no processamento de faces em que estas são rodadas e redimensionadas para corresponder a um padrão: “no processo de reconhecermos uma face que estamos a ver, comparamos esta com as que temos na nossa memória. Assim, todas as vezes que vemos uma face, o nosso cérebro cria uma representação dessa face e alinha-a com um modelo que temos em memória”, esclareceu Jorge Almeida.

Foi, também, possível mostrar que estas representações de faces estão presentes nos dois hemisférios do cérebro e que as representações das metades direita e esquerda das faces são dissociáveis. Assim, esta investigação “veio não só aumentar o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro, bem como apoiar com evidência científica uma das metodologias de reconhecimento facial mais usadas actualmente”, acrescentou.

“Ao apresentar faces em vários ângulos de rotação, verificámos que apenas as características direitas da face estavam distorcidas, mesmo quando a face foi apresentada invertida a 180 graus e essas partes da face se encontravam no lado esquerdo. A única forma de explicar este resultado é que ao processarmos faces, rodamo-las e criamos um modelo centrado na face e não no observador. Desta forma, o olho direito neste modelo centrado na face é representado sempre como o olho direito, mesmo que este esteja no nosso campo visual esquerdo como quando vemos uma face invertida. Este modelo centrado na face é depois comparado com um modelo já existente”, concluiu Jorge Almeida.