Coimbra  28 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Investigadores da UC avaliam impacto do isolamento social imposto pela covid-19

12 de Outubro 2020 Jornal Campeão: Investigadores da UC avaliam impacto do isolamento social imposto pela covid-19

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) está a avaliar o impacto do isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 no bem-estar físico e psicológico de adultos e idosos.

Liderada por Sandra Freitas, do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC, a equipa de especialistas quer identificar “as possíveis alterações na sintomatologia depressiva, capacidade funcional, queixas de memória, estado cognitivo e qualidade de vida da população portuguesa, causadas pelo confinamento”, conforme explicou a UC.

Para comparar o funcionamento cognitivo e psicológico da pessoa antes e após o confinamento social obrigatório, foram recrutados 250 adultos, a partir dos 50 anos, e idosos de todo o país, que já tinham participado em estudos anteriores relacionados com “alterações neuropsicológicas, patológicas ou não, resultantes do envelhecimento”, desenvolvidos pelo grupo de Sandra Freitas.

Deste modo, “é possível uma avaliação mais rigorosa do impacto do isolamento social na saúde mental”, pois há “dados prévios à pandemia”, diz a coordenadora do estudo.

Para a análise detalhada do impacto do isolamento social face à pandemia na saúde mental desta franja da população portuguesa, os participantes foram sujeitos, através de videochamada, a avaliações (neuro)psicológicas específicas, sendo depois examinadas alterações na sintomatologia depressiva, de ansiedade e stress, da qualidade e satisfação de vida, da capacidade funcional, das queixas de memória e do estado cognitivo.

Os especialistas observaram, ainda, possíveis relações com características sociodemográficas e perfis de risco, bem como a “literacia existente entre os participantes para tema relacionados com a covid-19, isolamento social e saúde mental”, refere a investigadora.

Numa primeira análise aos dados até agora obtidos, Sandra Freitas adianta que “o período de confinamento obrigatório favoreceu significativamente desenvolvimento de maiores níveis de sintomatologia depressiva e, consequentemente, pior qualidade de vida nos portugueses”.

Para a investigadora, os resultados finais do estudo em curso vão ser fundamentais “para compreender o modo como a saúde mental de cada franja sociodemográfica sai afectada com esta crise pandémica, tecer recomendações baseadas na realidade portuguesa planear intervenções futuras para a prevenção da saúde mental em situações similares, entre muitos outros aspectos”.

Sandra Freitas considera que as conclusões da investigação se destinam a todos os “cuidados de saúde primários (clínica geral e familiar) e especializados (psiquiatria, neurologia, psicologia e todos os profissionais da saúde mental), bem como à população em geral, alertando e sensibilizando para as problemáticas e franjas populacionais de maior risco”.

No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma página web (https://www.cuidaidosamente.pt/), que visa aumentar a literacia para a saúde mental e fornecer estratégias preventivas a toda a população.

Pretende-se “dar a conhecer os factores de risco para a saúde mental durante o isolamento social e partilhar conhecimentos e estratégias que promovam a sua prevenção”, sintetiza Sandra Freitas.

Financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), através da primeira edição Research4Covid-19, o estudo conta com a colaboração de uma investigadora do Centro de Investigação GeoBioTec da Universidade de Aveiro.