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Investigação da UC decifra desenvolvimento do sistema nervoso

8 de Agosto 2019

Rui Costa e Ramiro Almeida, investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra

 

Uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) decifrou um mecanismo de regulação do desenvolvimento do sistema nervoso.

A descoberta realizada “pode abrir caminho a novos estudos sobre as lesões da medula e doenças como a Esclerose Lateral Amiotrófica”.

A investigação, conduzida pelo CMC-UC, em parceria com a Universidade de Cornell (EUA), o Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade Nacional de Seul (Coreia do Sul), revela o porquê de os axónios perderam parte dos seus ribossomas após o processo de maturação.

“Este trabalho pretendeu identificar os mecanismos que regulam essa alteração, visto que, de uma forma até agora não entendida, após a maturação dos axónios, o número de ribossomas é reduzido”, explica o líder da equipa de investigação, Ramiro Almeida.

O estudo utilizou modelos animais e celulares e, em ambos os casos, foi observado que a formação de novas sinapses era responsável pela redução do número de ribossomas nos axónios.

A equipa de investigadores acredita que este decréscimo, após a maturação dos neurónios, ocorre devido a uma menor necessidade de formação de novas proteínas, descobrindo, ainda, que esta redução é mediada pelo sistema de ubiquitina-proteossoma (responsável pela degradação de componentes celulares).

“Após a formação da sinapse observámos sempre que o número de ribossomas diminuía. Ao investigar porquê, descobrimos que um sistema de degradação de proteínas existente nas nossas células, o sistema ubiquitina-proteossoma, era o responsável pela eliminação e consequente redução do número de ribossomas. Um processo induzido pela formação de novas sinapses”, referiu Rui Costa, investigador do CNC-UC e primeiro autor do estudo.

Estas são conclusões que poderão ter um importante impacto no estudo de lesões vertebro-medulares, conforme confirmam Ramiro Almeida e Rui Costa.

“Estudos de outros grupos de investigação mostraram que numa situação de lesão neuronal, entre muitos outros processos, o número de ribossomas nos axónios aumenta. O nosso estudo mostra qual o mecanismo de regulação dos níveis de ribossomas e a sua importância no desenvolvimento do sistema nervoso. No futuro, a compreensão destes processos poderá ajudar a amenizar danos destas lesões assim como em doenças como a Esclerose Lateral Amiotrófica”, concluem os investigadores.

Além de Rui Costa e Ramiro Almeida, o estudo “Synaptogenesis Stimulates a Proteasome-Mediated Ribosome Reduction in Axons” contou com a participação dos os investigadores do CNC-UC Helena Martins, Luís Martins, Miranda Mele, Joana Pedro e Diogo Tomé.

De referir que é um projecto financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), pelo COMPETE 2020, pela Fundação pela Ciência e Tecnologia (FCT), pelas Marie Curie Actions e pelo NIH.

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