Coimbra  14 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Indústrias do leite e dos curtumes criticam proibição da carne de vaca

18 de Setembro 2019

A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) e Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC) lamentaram e criticaram a tomada de posição da Universidade de Coimbra (UC) em relação à carne de vaca.

Os produtores de leite apresentaram, hoje, um “veemente protesto” perante o anúncio da eliminação da carne de vaca das 14 cantinas da UC, a partir de Janeiro de 2020, tendo a indústria dos curtumes lamentado, igualmente, tal decisão, pelo seu impacto nas actividades económicas do país.

“É incompreensível que o reitor de uma universidade com 700 anos de história queira banir um alimento com milhares de anos e que terá contribuído para o desenvolvimento do cérebro dos nossos antepassados”, refere a associação em comunicado enviado à agência Lusa.

A APROLEP cita o patologista Sobrinho Simões, que, em entrevista recente, disse: “ficámos espertos porque comemos carne”.

A organização explica que a carne não é o principal produto das vacarias e que a venda ou engorda dos vitelos machos e das vacas após o fim da vida produtiva “é um complemento fundamental, quando o preço do leite está abaixo do custo de produção”.

Salientando que Portugal importa quase 50 por cento da carne bovina que consome, a APROLEP refere que quem se preocupa com a pegada ecológica dos alimentos pode “começar por escolher carne nacional, sem consumo de combustíveis na importação e baseada na pastagem ou cultivo de terras que de outra forma ficariam abandonadas, sendo pasto privilegiado para incêndios”.

“Não ignoramos as alterações climáticas. Como agricultores, seremos os primeiros a sofrer. Faremos a nossa parte para que a agricultura e pecuária sejam parte da solução, mas precisamos da massa cinzenta das universidades para sermos mais eficientes numa agricultura de precisão”, sublinha.

Também para a indústria dos curtumes, na pessoa do secretário-geral da Associação Gonçalo Santos, a decisão do reitor da UC “não teve em conta o impacto nas actividades económicas do país e que são potenciais empregadoras dos alunos das universidades, nomeadamente de Coimbra”.

Assim, explicou, além da importância da indústria da carne de bovino na agricultura e no país, não poderá ser esquecida a fileira da indústria dos curtumes, que tem alocada a si uma parcela das emissões de carbono importante que são geradas pela indústria pecuária.

“O couro assume assim uma grande importância a este nível”, disse o responsável, lembrando que a pele é utilizada no calçado, refinaria, malas, vestuário, aviões, automóveis e muitas outras indústrias de importância na economia do país.

Por outro lado, disse ainda, é importante saber quais os substitutos da carne de vaca que irão ser utilizados pela Universidade de Coimbra, nomeadamente a sua origem (nacional ou importada) e se geram valor acrescentado para o país.

“Há outras formas de se atingir a neutralidade carbónica. Nós estamos na disposição de ajudar o senhor reitor, por exemplo, a criar um ‘kit’ de recepção aos alunos produzido com o nosso couro, que é um material durável e que poderá ser usado por eles, pelos seus filhos e até quem sabe pelos seus netos”, disse.

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