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Incêndios: Movimento de Tábua questiona pacote financeiro para a floresta

21 de Março 2021 Jornal Campeão: Incêndios: Movimento de Tábua questiona pacote financeiro para a floresta

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) quer saber para onde vão ser canalizados os sete mil milhões de euros anunciados no sábado pelo primeiro-ministro para investimento na floresta até 2030.

O movimento do concelho de Tábua anunciou, hoje, que vai pedir uma audiência urgente à 7.ª Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República “para que seja esclarecido para onde são canalizados estes apoios públicos”, quando “continuam centenas de agricultores e empresas florestais sem qualquer apoio desde 2017”.

“Quando recebem os lesados dos incêndios de Outubro de 2017 ajudas para a reposição do potencial produtivo florestal perdido em 2017?”, questiona o MAAVIM, que pergunta também pelos “apoios para a reposição das alfaias agrícolas e florestais perdidas” nos trágicos fogos daquele ano.

O porta-voz do movimento, Nuno Pereira, refere que o pacote de quase 12 milhões de euros anunciados no sábado pelo Governo para a aquisição de maquinaria “na sua maioria já tinha sido anunciado pelo ministro Capoulas dos Santos em 2019, por altura da campanha para as Eleições Legislativas”.

“Muitos desses equipamentos continuam desde 2019 sem estarem em funcionamento e sem o uso devido para a anunciada manutenção da floresta que deve ser feita durante o Inverno”, denuncia.

O MAAVIM pretende saber “quando serão anunciadas medidas de apoio para as pessoas e populações que estão no território e lutam diariamente contra o abandono do território, da agriculta e da floresta”.

“Se o maior problema é a falta de recursos humanos, porque não investir em recursos humanos que já estão no território, antes que o abandonem, em vez de se continuar com a propaganda de comprar equipamentos para organismos que não os usam, pois nem recursos humanos têm”, critica.

O movimento questiona ainda se vão ser as Comunidades Intermunicipais, “que não têm qualquer experiência na floresta, que vão usar os equipamentos florestais ou as populações e respectivas autarquias locais”.

“Como é que se pode dizer que as zonas de maior procura estão no Algarve ou no Norte, quando a maior zona florestal e com declives mais acentuados está situada na zona Centro?”, interroga o MAAVIM.

O Governo prevê um investimento de sete mil milhões de euros na floresta até 2030, de acordo com um documento coordenado pela Agência de Incêndios Florestais que está em discussão pública, disse no sábado o primeiro-ministro na Lousã.

“É um investimento em equipamento de combate a incêndios e de prevenção, mas é sobretudo um investimento de transformação estrutural da nossa floresta, que significa evitar a monocultura, criar um mosaico da paisagem, onde temos simultaneamente árvores de crescimento rápido e autóctones”, referiu António Costa.

O líder do Governo – que presidiu à apresentação de uma bolsa de maquinaria para gestão de fogo rural – salientou que a floresta tem de ser de novo uma fonte de riqueza que permita repovoar a região do interior do país e referiu que o investimento previsto até ao final da década “estima criar 60 mil postos de trabalho”.

O Governo avançou ainda no sábado que as organizações de produtores florestais e as comunidades intermunicipais vão dispor de uma bolsa de maquinaria para gestão de fogo rural, com 63 máquinas pesadas, num investimento de “quase 12 milhões de euros”.