Coimbra  15 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Histórias das gentes e do concelho de Tábua mostradas em espectáculo

18 de Setembro 2019

Até Novembro, as histórias dos tabuenses e do próprio concelho de Tábua serão mostradas ao público, num espectáculo único da companhia “Teatro Perro”, que andará em digressão pelas várias aldeia do concelho.

A jovem companhia de teatro andou a recolher histórias em torno de cicatrizes físicas e psicológicas das pessoas da terra e transformou-as no espectáculo “Cicare”. Ainda que não se pretenda assumir como um retrato de Tábua, mas antes uma “cartografia emocional despudorada” daquela terra, a peça tem como base 20 histórias que falam de relações, de religião, do interior, da ditadura, da guerra colonial, da doença ou da solidão.

“Histórias do Interior, daquilo que somos feitos, da terra onde vivemos. Baseado em depoimentos reais, o espectáculo apresenta um mundo ficcional inspirado no nosso território, traçando um mapa que, não sendo verdade, é parte dele”, refere a sinopse da peça.

O espectáculo estreou em Abril e volta a circular entre 21 de Setembro (no próximo sábado) e 10 de Novembro, estando previsto passar por 10 localidades do concelho, sempre com entrada gratuita.

De acordo com a directora artística da “Teatro Perro”, Gi da Conceição, o espectáculo surgiu após a companhia ter criado uma oficina de teatro para adultos, sendo os oito actores em palco pessoas que frequentaram esse curso, com idades entre os 18 e os 56 anos e com ocupações profissionais que nada têm a ver com as artes, havendo desde um eletricista, a uma administrativa de um Centro de Saúde e até um funcionário municipal.

A peça partiu de uma recolha que Gi da Gonceição fez junto de habitantes do concelho, perguntando-lhes sobre as suas cicatrizes, físicas ou outras, tendo chegado ao final do processo com mais de 70 páginas de histórias, contou.

No espectáculo, as histórias surgem como uma espécie de microcontos agrupados em blocos temáticos, numa peça com uma cenografia bastante reduzida – para se adaptar aos diferentes espaços das localidades -, que se limita a uns holofotes e a baldes.

Num projecto onde a proximidade está muito vincada, no final do espectáculo há quem se reveja numa história ou pense que uma das “cicatrizes” é de uma pessoa conhecida, notou a responsável.

“Temos tido sempre casa cheia”, afirmou à agência Lusa Gi da Conceição, salientando que o espectáculo passa por muitas localidades onde o teatro muitas vezes não chega e é comum encontrar pessoas que lhe dizem que foram ao teatro pela primeira vez na sua vida à boleia da peça.

“É muito bom para nós levar a cultura onde muitas vezes não há acesso a ela”, vincou.

Para Gi da Conceição, é “muito difícil” ter uma companhia de teatro fora dos grandes centros urbanos e ainda não é possível trabalhar a tempo inteiro para o projecto, mas sublinha que têm sentido muito apoio quer por parte da Câmara de Tábua, quer por parte de várias pessoas do concelho para continuar com o projecto.

A companhia Teatro Perro está integrada na associação cultural Gambiarra, criada em 2017.

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