Coimbra  24 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Grupo do PS apela a ministro para manter Centro de Saúde Militar de Coimbra

19 de Novembro 2020 Jornal Campeão: Grupo do PS apela a ministro para manter Centro de Saúde Militar de Coimbra

A Direcção do Grupo Municipal do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Coimbra reuniu com ADFA (Associação dos Deficientes das Forças Armadas) – Delegação de Coimbra, tendo ouvido as suas preocupações, remetendo agora uma carta ao ministro da Defesa questionando-o sobre a reorganização do Sistema de Saúde Militar e, em particular, apelando à manutenção do Centro de Saúde Militar de Coimbra.

A ADFA manifestou “preocupação sobre a reorganização do Sistema de Saúde Militar e respectivo impacto na redução da qualidade de vida dos deficientes das Forças Armadas, nomeadamente pertencentes à área de Coimbra, Viseu e Castelo Branco”.

Assim, a Direcção do Grupo do PS (que inclui os membros José Manuel Ferreira da Silva, líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Coimbra; Hernâni Caniço, membro da Direcção da bancada do PS na Assembleia Municipal de Coimbra e coordenador do Grupo da Saúde; Rosa Isabel Cruz, membro da Direcção da bancada do PS na Assembleia Municipal de Coimbra; e Jorge Veloso, membro da Direcção da bancada do PS na Assembleia Municipal de Coimbra e presidente de Junta de Freguesia e da ANAFRE) enviou uma carta ao ministro da Defesa demonstrando e questionando sobre o Sistema de Saúde Militar:

“Preocupação pelo facto de nos termos do Decreto Regulamentar n.º 11 / 2015, de 31 de Julho (no que concerne à criação do Centro de Saúde Militar de Coimbra – CSMC), e do Despacho do MDN n.º 4139 / 2019, ser impossibilitada a facturação dos cuidados de saúde prestados à ADM, o que provoca questões de redução orçamental e sustentabilidade financeira, com as respectivas consequências para os beneficiários;

preocupação acrescida pelo progressivo desmantelamento do Centro de Saúde Militar de Coimbra, dado que a prestação do apoio sanitário da área geográfica referente a Coimbra, Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra e Região Centro apenas é garantida aos militares do Exército e condicionada à capacidade sobrante aos seus familiares e outros utentes, em Saúde Operacional;

por outro lado, e dada a próxima situação de aposentação de recursos humanos de grande parte dos médicos do Mapa do Pessoal Civil do Exército (nomeadamente especialistas em Neurologia, Ortopedia, Pneumologia, Cardiologia, Psiquiatria e Medicina Física e Reabilitação), tornar-se-ia absolutamente imperioso novas contratações de recursos humanos (incluindo para Cirurgia, Urologia, Gastroenterologia e Nefrologia), sob pena de perda de capacidade técnica dos serviços de saúde e consequente desactivação de serviços e, quiçá, do Centro de Saúde Militar de Coimbra;

assim, o Centro de Saúde Militar de Coimbra (após a extinção do Hospital Militar Regional n.º 2, aqui sediado) tem condições como estrutura física e quadro de pessoal, que permitem a prestação de cuidados de saúde quer aos deficientes quer aos 20 000 potenciais utentes (dos quais 7 000 recorrem anualmente ao CSMC, desde militares dos ramos da Forças Armadas, à PSP, GNR e familiares), com as áreas clínicas já referidas, capacidade de internamento em reserva, dois blocos operatórios, laboratório de análises clínicas e serviço de imagiologia”.

Segundo defende o Grupo, “a alternativa para os utentes do CSMC seria o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que se encontra manifestamente saturado, com dificuldade de recursos humanos (nomeadamente escassez de médicos de família, utentes sem médico de família, tempo de espera hospitalar em atendimento ambulatório elevado e listas de espera em cirurgias programadas agravadas) e problemas organizativos actuais com o atendimento covid-19”.

E prossegue, dizendo que “a experiência do Hospital Militar Regional n.º 2, e posteriormente CSMC, no acompanhamento em saúde física e mental (incluindo o Distúrbio Pós-Traumático do Stress) dos militares portugueses e suas famílias vítimas da guerra colonial, e o apoio às forças da PSP e GNR e familiares, deve ser valorizada, valorizando assim Coimbra, a região Centro e o país, no momento em que se promove transferência de competências do Governo central para as entidades autárquicas e intermunicipais e se se dá passos no sentido da regionalização”.

Há, por isso, considera o Grupo, “necessidade de reavaliar e colocar a manutenção desde CSMC como estrutura complementar ao Polo HFAR de Lisboa, além de garantir a saúde operacional, mantendo a qualidade dos serviços em Coimbra e promovendo as respostas regionais, o que é muito importante para Coimbra e a região Centro, defendendo assim a segurança e o interesse das pessoas, a credibilidade das instituições e o sucesso da governação socialista na cidade e no país”.

“Apelamos assim ao Senhor Ministro da Defesa Nacional que tenha em conta o exposto, assegurando no âmbito da reorganização do Sistema de Saúde Militar, que o Centro de Saúde Militar de Coimbra, imprescindível para Coimbra e para a região Centro, mantenha o seu funcionamento quanto às necessidades em saúde de militares e seus familiares, assegure os recursos humanos devidos para a qualificação do atendimento médico e em saúde, e garanta um modelo orgânico que elimine constrangimentos e promova a eficácia e eficiência da prestação de cuidados de saúde, acreditando na competência, sapiência, ponderação e mais valia que conhecemos de longa data e reconhecemos, na expectativa de resposta favorável a estas nossas preocupações”.

Já esta semana, a ADFA tinha alertado para a perda de valências no Hospital Militar de Coimbra e o Exército afirmou que está a trabalhar para atenuar a falta de profissionais.