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Greve dos oficiais de justiça paralisa tribunais de Coimbra

21 de Novembro 2018 Jornal Campeão: Greve dos oficiais de justiça paralisa tribunais de Coimbra

Largas dezenas de oficiais de justiça concentraram-se, hoje, junto ao Palácio da Justiça de Coimbra, no âmbito de uma greve parcial, tendo levado à paralisação dos tribunais da cidade.

Vestindo uma t-shirt com a frase “Justiça para quem nela trabalha”, largas dezenas de oficiais de justiça pediram “respeito” e “justiça”, enquanto faziam um cordão humano à volta do Palácio da Justiça, em Coimbra.

No âmbito das greves parciais que decorrem pelo país, os oficiais de justiça exigem a revisão do estatuto, melhores condições de trabalho e abertura de concursos para a admissão de mais funcionários.

Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Marçal, a adesão à greve parcial – realizada entre as 09h00 e as 11h00 – levou à paralisação “de todos os tribunais” na cidade de Coimbra.

“A adesão é de 100 por cento e todos os serviços estão fechados”, vincou o dirigente sindical, sublinhando que há perto de 200 funcionários judiciais em Coimbra.

Para António Marçal, em causa está, entre outras questões, a suspensão da negociação do estatuto, em Maio, por parte do Ministério da Justiça e a necessidade de contratar mais 1 400 funcionários para os tribunais.

Outra das questões prende-se com o facto dos oficiais de justiça, quando assistem a diligências em dias feriados, fins-de-semana ou de madrugada, “não ganharem um único cêntimo depois das 17h00”.

“A ministra tem fechado os olhos e tem fechado os ouvidos. Esta é uma forma de fazer ouvir a nossa voz, porque sem nós a justiça não anda”, vincou.

Rui Cruz, oficial de justiça há 18 anos, sublinhou que estes profissionais estão “fartos de promessas e fartos de não terem as condições necessárias para desempenharem o seu serviço”.

“Mesmo assim, nós, com o nosso brio profissional, vamos sempre desempenhando, muitas vezes em condições degradantes”, disse à Lusa o funcionário judicial, considerando que “basta de promessas”.

Rui Cruz recordou que a carreira dos oficiais de justiça está estagnada “há mais de 10 anos”, sendo que, em termos salariais, ganha menos hoje do que ganhava quando entrou para os tribunais, “em termos comparativos”. “O que queremos é respeito, condições e que cumpram com aquilo que prometeram”, frisou.

Também presente no protesto, Helena Dias, oficial de justiça há 30 anos, decidiu aderir à greve para poder reivindicar por tudo aquilo que lhes “tem sido retirado ao longo dos anos”.

“Temos andado a ser esquecidos pelo Ministério da Justiça. Temos andado a ficar cada vez mais para trás. Nós também fazemos parte da justiça. Estamos apenas a pedir para que olhem para as injustiças que têm sido cometidas contra nós ao longo destes anos todos”, frisou.

Os oficiais de justiça iniciaram uma greve a tempo parcial a 05 de Novembro, que termina a 31 de Dezembro.