Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Gráfica de Coimbra: Dossiê da falência em aberto, volvidos quatro anos

7 de Janeiro 2019

Problemas com a prestação de contas da insolvência da Gráfica de Coimbra, ocorrida em 2014, têm levado a que dezenas de ex-trabalhadores continuem sem receber quantias monetárias que lhes são devidas.
Cerca de meia centena de outrora funcionários da falida Gráfica de Coimbra (GC), propriedade da Diocese, ficaram sem trabalho, no começo de 2015.
Segundo apurou o “Campeão”, o desfecho das contas está, ainda, à mercê da venda de imóveis pertencentes às massas falidas da GC e da Gráfica 2.
Outro aspecto associado ao protelamento da prestação de contas prende-se com a suspensão infligida ao gestor judicial provisório Adelino Ferreira Novo, situação que ditou a nomeação de Maria do Céu Carrinho para administradora da insolvência.
Segundo noticiou o semanário Expresso, em Março de 2017, Adelino Novo encontra-se sob suspeita de autoria de desfalques no montante de “cerca de um milhão de euros”, desconhecendo-se se tais alegados desvios têm algo a ver com o processo da GC.
A título de medida de coacção, decretada por um juiz mediante promoção do Ministério Público (MP), Adelino Novo está proibido de exercer a actividade de gestor de insolvências.
No âmbito de um inquérito aberto pela entidade titular da acção penal, recaem sobre Adelino Novo e outros arguidos suspeitas de co-autoria de crime de peculato inerente a presumível desfalque de quatro empresas em situação de insolvência.
Como noticiou o “Campeão”, oportunamente, o então administrador judicial provisório requereu a liquidação da GC, na sequência da falência da sociedade Gráfica 2.
Adelino Ferreira Novo e a gerência da empresa consideraram estar “irremediavelmente prejudicada a possibilidade de apresentação de um plano de insolvência”, justificando esse entendimento com o desfecho do processo atinente à Gráfica 2, de que a GC era co-proprietária.
Independentemente do processo que ditou a suspensão de Adelino Novo, a sua destituição de administrador da insolvência da Gráfica de Coimbra tinha sido requerida, em 2014, pela Caixa Leasing e Factoring.
Fundada há mais de uma década, a Gráfica 2 resultou da segmentação de actividade da GC.
Ambas as liquidações foram precedidas pelo «chumbo», em 2014, de processos especiais de revitalização, situação que impediu as empresas de voltarem a recorrer ao mesmo mecanismo no horizonte de dois anos.
Um plano de recuperação da Gráfica de Coimbra começou por ser homologado, em 2013, pelo Tribunal Cível, com base em informação fornecida por Adelino Ferreira Novo, mas acabou por implodir, em sede de recurso, no Tribunal da Relação.
Detentor de 21,83 por cento dos créditos sobre a GC, o outrora BES foi um dos credores que votaram contra o plano de recuperação, a par do Barclays Bank, Banif, BIC, BPN – Crédito e sociedade Grafimbra (entre outras entidades).
O Processo Especial de Revitalização (PER) da Gráfica merecera o aval do Colégio de S. Teotónio, na qualidade de credor, tendo ambas as entidades como administrador o padre Manuel Carvalheiro Dias.
O nosso Jornal noticiou, em 2013, que a GC accionara um PER fazendo o gerente uso de outro «chapéu».
A tentativa de recuperação da GC foi preconizada por Carvalheiro Dias, enquanto gerente, mas apesar de o padre também presidir à sociedade proprietária do CST ele não subscreveu um documento por esta emitido.
Carvalheiro Dias sucedeu na Gráfica de Coimbra, no início de 2012, ao padre Valentim Marques (entretanto falecido).

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com